Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Wanderlei Barbosa deixa governo acusando conspiração. Estratégia não refuta as suposições da PF mas pode somar compaixão ao apoio popular do governador afastado que não está inelegível para 2026

04/09/2025 624 visualizações

A estratégia do governador afastado Wanderlei Barbosa de se defender atacando, pode não ser a melhor escolha jurídica para ele.

As acusações que pesam sobre seus ombros e do grupo são gravíssimas. É ainda uma fase de inquérito, sem o contraditório. Mas o STJ (como em Mauro Carlesse) decidiu por afastá-lo. 

Mauro Carlesse, afastado há quatro anos pelo mesmo ministro Mauro Campbel, até hoje não foi sequer denunciado. Ou seja, não é ainda nem mesmo réu. E está nas ruas para disputar o governo novamente.

Mas é, certamente, a provocação feita por Wanderlei ontem (e prontamente respondida pelos aliados de Laurez), a opção política mais acertada para manter-se aceso até as eleições do próximo ano.

Tudo que a tática necessita é que o governador interino e seus aliados aceitem morder a isca que impõe ao grupo a pecha de traição e conspiração. E Wanderlei reverbere a tese nos próximos 12 meses.

Evidentemente, a proposição não refutaria as acusações colocadas.  Disso cuidariam os advogados com suas demonstrações contrárias..

Mas a população é mais dada a dedicar compaixão aos traídos (consideradas vítimas) que aos traidores. Não é uma questão de processo judicial, mas de processo político.

Wanderlei deixa o governo com aprovação popular nas alturas e desempenho fiscal dentro da LRF. E paga em dias funcionalismo e fornecedores. Dois setores importantes.

O afastamento, diga-se, não o tornou inelegível e a possibilidade de tramitação de um impeachment (que o tornaria inelegível) no Legislativo (presidido por Amélio Cayres) é remotíssima.

Curiosamente, o afastamento de Wanderlei o ajudou a solucionar uma equação: não precisa mais escolher entre ficar no cargo e desincompatibilizar-se para disputar o Senado.

E, como um “cordeiro imolado”, ir para o sacrifício eleitoral com o seu candidato a governo.

A isca foi jogada. Se Laurez vai morder é outra conversa.

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