Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Se vereadores não querem identificar como públicos veículos locados, poderiam apagar o letreiro do imóvel da Câmara que poderia ser até um rendezvous

26/10/2025 927 visualizações

A resistência de parcela dos vereadores de Palmas para “plotar” as camionetes que serão pagas com recursos públicos carimba como pertinentes as críticas que lhes tem feito os contribuintes sobre o legítimo direito legal que exerce o Legislativo metropolitano de alugá-las.

Se os veículos são de propriedade particular, seu uso, entretanto, será público e financiado pelo público. Não um bem de uso privado. Ainda que sua propriedade o seja.

Se for flagrado levando filhos de parlamentares a escolas, a patroa ao supermercado  ou filmado entrando em um motel, tem que ser denunciado.

E isto somente é possível com a identificação exigida por lei. Descaracterização de veículo público tem suas regras.

Se, por exemplo, o imóvel locado para funcionamento da Câmara Municipal não tivesse a indicação de seu uso público, nada impediria que um desavisado enxergasse ali um bordel privado.

Os vereadores, pela legislação, tem direito a veículo “oficial”. Como os deputados e presidentes de poderes. Negá-lo é hipocrisia e populismo.

E já se comprovou que a locação é mais em conta que a aquisição. Discute-se tão somente valores. Mas houve pregão eletrônico.

Ainda que os R$ 2,9 milhões das camionetes este ano seja superior aos R$ 1,7 milhão gastos com locação de meio de transporte em 2024 (balanço no TCE).

É provável que os vereadores tenham dificuldades de outra natureza: despesas com combustíveis (pela prestação de contas) consomem grande fatia da Codap de R$ 24 mil mensais de cada parlamentar (R$ 290 mil ao ano).

E estas camionetas de R$ 2,9 milhões não tem limite de quilometragem e combustível zero para a Câmara.

E ai? Devem elevar as despesas com advogados....um duto conhecidíssimo.

 

Compartilhar

Deixe seu comentário

1 Comentário(s)

CHRIS TEIXEIRA MADUREIRA 27/10/2025

Esse debate sobre plotar ou não plotar as camionetes da Câmara precisa ser menos emocional e mais realista. Na teoria, adesivar os veículos facilita o controle social. Na prática, abre espaço pra outros tipos de problema. Palmas não é uma bolha de fantasia — tem histórico de violência, emboscada, vandalismo e perseguição política. Botar um alvo ambulante com o brasão da Câmara na porta é pedir pra transformar cada deslocamento em risco calculado. Outra coisa: hoje qualquer carro é rastreável por GPS, nota fiscal, contrato, diário de bordo, abastecimento e prestação de contas. Fiscalização de verdade não depende de plotagem — depende de transparência digital. Dar adesivo não garante moralidade, só dá ilusão de controle pra plateia. E, convenhamos, carro adesivado não impediu nenhum escândalo no Brasil até hoje. E tem um ponto estratégico: atender determinadas demandas de comunidades vulneráveis, ou até ir fiscalizar um problema sem gerar alarde, simplesmente não dá com carro escancaradamente oficial. Nem todo mandato é "gabinete perfumado"; tem vereador que pisa em lama, que entra em área de conflito, que media treta familiar. Se for pra fingir que não vive isso, aí sim vira hipocrisia. Plotagem serve pra quem quer marketing, não pra quem quer eficiência com segurança. Fiscalização se faz com dado público e controle do gasto, não com adesivo pra foto.

Mais em Ponto Cartesiano