A Secretaria de Saúde decidiu, por portaria, ontem (Diário Oficial), requisitar administrativamente serviços de hemodiálise na rede privada para atendimento de pacientes do SUS.
Um ato unilateral de confisco nos hospitais privados. Era necessário? Os médicos dizem que sim e não vou duvidar do sofrimento de pacientes renais dependentes da boa vontade política de governos.
Poderia ter sido evitado? Ah, isto com certeza poderia. Justamente para isto é que se elege governos, paga-se impostos e salário de gestores, subordinados a um planejamento mínimo que seja.
Destino de ineficência e falta de planejamento na saúde é a morte.
E qual a causa: na semana passada médicos denunciaram que pacientes no HGP estariam demorando mais de 72 horas para realizar hemodiálise.
A irresponsabilidade do planejamento da Saúde não é mais nominável. No Estado, há cerca de 600 pacientes que necessitam do serviço.
Problemas renais não dão como febre. Não houve uma “epidemia” de problemas renais para que a Saúde fizesse uso da requisição dos serviços particulares.
A Portaria 1071/26 limita o prazo de requisição a 60 dias. Deve ter um plano B para regularizar a situação em dois meses.
No que contrariaria até suas justificativas de que fez uso do expediente agora em função de não ter tido êxito nos chamamentos. Expediente de que fez uso, na mesma especialidade, em anos anteriores.
Obviamente que contratações de exceção (sem licitação) possibilitam preços extraordinários sob o signo da urgência, que faz da arbitrariedade do expediente, ganho e não perda para os contratantes.
Mas mantém o objeto: a deficiência do serviço na rede pública que exigirá a continuidade do regime de exceção (mais caro) por mais tempo com a rede privada.
A Secretaria de Saúde (dados do portal das transparências desta quinta) empenhou até hoje R$ 3,861 bilhões.
O valor é R$ 426 milhões superior aos R$ 3,435 bilhões de todo o ano de 2025. Ou: 12,4%. A inflação no período foi de 4,58%. E estamos ainda a dois meses do encerramento do exercício.
A Saúde já pagou até hoje R$ 3,502 bilhões. Isto aí é R$ 293 milhões acima dos R$ 3,209 bilhões que quitou de janeiro a dezembro de 2025. Dados públicos no Portal e nos RGFs.
E a Saúde levando TCE, MPE e a população na flauta.


