O governo decidiu abrir as porteiras para o agronegócio.
Deciciu acabar, na prática, com o Fundo Estadual de Transporte. Atende, por óbvio, o poderoso agro.
E com uma agilidade impressionante: o pedido fora feito há dez dias pelos frigoríficos. Em reunião divulgada pelo próprio governo com registro fotográfico e tudo.
E após o prazo da janela partidária.
O governo fez uso de um expediente inusitado: por decreto, retirou da obrigação os empresários beneficiados com regime especial enquadrados na industria que se utilize de "matéria prima" produzida no Estado e que contribuam para o Fundo de Desenvolvimento Econômico.
Ou seja: praticamente todos os frigoríficos e empresários do agronegócio. O Estado tem sua economia fundada no setor primário, sem valor agregado.
A maioria commodities mas que rendem R$ 16 bilhões anualmente só em exportações aos produtores. Cerca de 30% do PIB anual do Estado. Sem impostos.
O decreto foi publicado na última quarta-feira.
Os frigoríficos pagam zero de impostos na exportação e 1% na circulação interna.
O FET é de 1,2% (do transportado) e destina-se a reparar rodovias que os caminhões da produção explodem com o peso sem fiscalização nas estradas.
O agronegócio exportou em 2025 o equivalente a R$ 16 bilhões. Crescimento de 21,7% em relação a 2024.
Este ano (janeiro a março) exportou R$ 3,5 bilhões. Um crescimento de 16,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
A indústria de transformação (onde estão os frigoríficos) teve no ano passado R$ 1,2 bilhão de renúncia fiscal. Quase metade dos R$ 2,5 bilhões de renúncias que o governo concedeu em 2025.
De 2023 a 2025, o governo deixou de arrecadar com as renúncias fiscais o equivalente a R$ 6.311.784.519,59. Em três anos.
Com essa carga tributária, só os frigoríficos exportaram em 2025 a soma de R$ 3,3 bilhões. Ou: 44,90% a mais do que em 2024.
No primeiro bimestre de 2026 (janeiro/fevereiro) exportaram R$ 477,3 milhões. Mais que os R$ 227 milhões da soja.
Enquanto isto, lá no açougue, o cidadão paga uma alíquota de 12% na carne do osso e no feijão que compra para o almoço.
E as rodovias em petição de miséria.




