Os deputados podem até radicalizar, derrubar o veto do governador e promulgar as alterações nas MPs do Executivo.
Mas politicamente já perderam. Uma derrota, convenhamos, perfeitamente previsível.
E que talvez tivesse sido por eles próprios provocada ao aprovarem o Autógrafo de Lei modificativo no dia 1° de abril quando já era conhecida a perda do Executivo no Legislativo na janela partidária.
Não era necessário grandes atributos cognitivos para identificar-se aí um cabo de força que Wanderlei percebeu se instalando, realçando perdas de poder político de mando.
Basicamente o que o fez reagir ontem, convocando coletiva de imprensa.
Além de demonstrativo de enfrentamento do Legislativo ao Executivo, com suposta busca de supremacia nas ações de governo, sobrepunham-se os parlamentares na captação de algo caro ao Executivo estadual e à sua candidata: o apoio dos servidores públicos.
O bônus da indenização/gratificação e ampliação de beneficiados se deslocaria, com a alteração, para o Legislativo. Ficando o Executivo com o ônus de ter proposto um benefício menor.
Além, claro, da consolidação de imaginada força de Amélio sobre Wanderlei.
Os deputados não contavam com os entraves da lei e suas implicações políticas.
Imaginaram que, contra o governo, poderiam fazer uso de seu descumprimento, como o fizeram (não só nesta Legislatura) com o aval do poder político e constitucional do Palácio.
Ilegalidades em certa medida combinadas e coordenadas entre eles.
Na calculadora, as condições fiscais do governo não autorizariam sequer a criação de mais indenizações e gratificações.
Despesas crescendo em progressão geométrica contra a aritmética dos gráficos das receitas.
Que dirá reajustá-las e ampliá-las sem competência legal para fazê-lo.
Se não se mexerem contra o veto, os deputados ficam na mesma: não ganham e nem perdem.
Se derrubarem, empurrarão para o outro lado os servidores com a possibilidade de judicialização já anunciada pelo Executivo a partir das razões legais que o auxiliam no desgaste.




