É nítida nos últimos dias a proporcionalidade entre a “réentrée” de Carlos Gaguim (UB) e a “la sortie” de secours” de Eli Borges (Republicanos) na chapa majoritária palaciana.
Enquanto Gaguim segue a pré-campanha ao Senado, agora de forma intensa acompanhado de Dorinha Seabra (UB) e Eduardo Gomes (PL), o deputado evangélico entrou no modo stand-bye da companhia palaciana.
A frigideira o ameaça e, a esta altura, deve cruzar os dedos para que a percepção de fragilidade política do Executivo no Legislativo na pré-campanha possa limitar-se ao perímetro circunstancialmente estabelecido pelos deputados.
Carlos Gaguim tratorou em uma semana a pré-candidatura de Eli Borges ao Senado posta pelo governador que é presidente da comissão regional do Republicanos. E não precisou de muito.
Estratégia que não seria factível se Wanderlei Barbosa tivesse o apoio da maioria dos parlamentares, a caixa de ressonância da política estadual.
Dissensão, por sinal, irrompida pela tática palaciana pós-retorno.Wanderlei preferiu estigmatizar os deputados a ser pragmático.
Varreu para fora e não para dentro. Isto quando a perspectiva de poder não estaria mais no seu horizonte. E sim do eventual sucessor.
Na aritmética, a fração de poder que poderia projetar fora do governo estaria diretamente proporcional à sua contribuição ao grupo que o substituirá.
Situação em que a soma prepondera à divisão.
Mas deu um canto de carroceria no presidente do Legislativo, Amélio Cayres (que segurou a tramitação de um pedido de impeachment e comandou votação e aprovação de todas as matérias encaminhadas pelo Executivo nos últimos três anos) e, agora, recebe a mesma moeda.
Amélio diz que não. Mas não há dúvidas de que apenas exercendo as competências constitucionais pode prejudicar e muito o governo, tal como se dá, afastando as proposições que o subestimavam no cargo.
A possibilidade de derrubada de um veto de governador no Legislativo (acenada ontem na Assembléia), em projeto que beneficia servidores, por si só, já seria demonstração de força política dos parlamentares mais acentuada do que do governo.
E com uma qualificadora: o governo corre o risco de ser derrotado no veto e os deputados de saírem vitoriosos por sua derrubada e consequente aumento do benefício aos funcionários acima do proposto pelo Palácio.
Para não ser derrotado por inteiro, Wanderlei terá que compor com os deputados hoje na oposição e com os votos daqueles comandados por Dorinha, Gaguim e Eduardo Gomes. Ali onde Eli Borges não manda e pode representar apenas moeda de troca.
Se o trio já tinha o comando da sucessão, agora pode levar Wanderlei à rendição no Legislativo. Com implicações colaterais: mandar de vez Eli Borges para reorganizar seus diretórios.
Nada que não tivesse sido conversado lá no DF no afastamento. Ou que não pudesse ser previsto e evitado.


