As novas despesas fixas de caráter obrigatório continuado autorizadas pelo governo esta semana (salários no Tribunal de Justiça e Procuradoria do Estado) – na metade do ano fiscal e sem previsão orçamentária – contrasta com a inclinação das contas estaduais.
No geral, há certo controle nos gastos no governo Wanderlei.
O buraco dá fundo é quando enfrenta pressão do funcionalismo e do agronegócio por mais renúncias fiscais. Aí a coisa desgringola.
E não é aparada pela Casa Civil que tem assessorado Wanderlei a tomar medidas problemáticas.
Como ele é focado no abraço do povão, as consequências ao seu projeto político podem chegar mais tarde.
O governo fez (transparências deste domingo) despesas (empenhou) da ordem de R$ 11,2 bilhões de janeiro a junho deste ano.
É 25,8% superior às despesas empenhadas de janeiro a junho de 2025: R$ 8,9 bilhões (R$ 2,3 bilhões).
As receitas totais no 1º semestre de 2025 somaram R$ 9,01 bilhões contra R$ 11,5 bilhões em 2026. Um acréscimo de 26,6%.
Ocorre que destas receitas de 2026, a soma de R$ 1,9 bilhão é contabilizada como resultado de operações de crédito. E que em igual período do ano passado ficaram em R$ 141 milhões.
Retirando-os (terá que amortizá-los com encargos), o governo teria obtido recurso de R$ 9,6 bi no 1º semestre contra empenhos de R$ 11,2 bilhões.
Poder-se-ia subtrair os investimentos (finalidade das operações). Mas eles foram R$ 348 milhões no ano passado e este ano são de apenas R$ 737 milhões.
Para efeito de comparação: a inflação no período foi de 4,72%.
É um governo que teve dinheiro a mais que a inflação e ainda teve que tomar emprestado R$ 1,9 bilhão.
De outro modo: acertou Wanderlei a não entrar na campanha de Dorinha no primeiro semestre. A situação não é nada boa.
E desde ontem está proibido legalmente de fazê-lo.



