Sábado, 4 de Jul de 2026

Profecia de Paulo Mourão de que Irajá pode fazer campanha sozinho é um reúso da estratégia kamicase de Wanderlei no Senado. Divide a "petezada" porque sugere Senador do PSD não ser de grupo e iria rachar a chapa

04/07/2026 144 visualizações

O PT tem lá suas nuances. Enquanto a coordenadora da campanha do presidente Lula, ex-senadora Kátia Abreu, defende o palanque PSD/Federação PT/PCdoB/PV, o candidato petista ao senado, ex-deputado Paulo Mourão, tem uma espécie de revelação e parece pregar justamente o contrário.

Indagado pela jornalista Maju Cotrim esta semana foi taxativo: acha que o senador Irajá Abreu (PSD) – o outro candidato da chapa de Laurez – deve fazer campanha fora do palanque de Laurez/Lula.

Paulo projeta o futuro usando o retrovisor como fundamento argumentativo: eleições 2018.

Irajá teria lá se distanciado de Marlon Reis (o candidato da coligação ao governo) e do próprio Paulo, que disputava uma vaga no Senado.

A tese tem lá suas fragilidades. Mas antecipadamente planta cizânia no PT/PSD. Marlon, à época, era do Rede. E Irajá do PSD. Hoje Irajá é do PSD que tem o candidato ao governo. Situações distintas.

Em 2018, o PSD apoiou a candidatura de Geraldo Alkimin (PSDB).

Lula, preso, cedeu a vaga do PT a Fernando Haddad que perdeu no segundo turno  no Estado para Jair Bolsonaro, então no nanico PSL.

Lula hoje vai à reeleição e o PSD (chapa do candidato do PSD) será o seu palanque no Estado. O bolsonarismo já tem os seus.

A prevalecer o raciocínio de Paulo,  Irajá poderia fazer uso do PSD e largar às traças o vice Laurez Moreira, que preside o partido no Estado e encabeça a chapa.

E deixar de lado o palanque de Lula, coordenado por Kátia Abreu. Situação aprovada pelo PSD nacional de Gilberto Kassab que não vai interferir nas alianças estaduais.

Obviamente que a declaração de Paulo Mourão se destina aos petistas. Passa, "sem querer, querendo", a “pecha” de “não companheiro” de Irajá à petezada. Votos que, desgarrados, iriam cair na conta dele, Mourão.

Exatamente quando as circunstâncias apontam crescimento de Irajá e divisão dos votos governistas entre os cinco candidatos ao Senado colocados.

E que estatisticamente pode resultar na eleição de um senador governista (Eduardo Gomes, consolidado nas pesquisas) e outro da oposição.

Daí a reação do deputado federal Carlos Gaguim que, em pré-campanha desde o ano passado, lançou sua pré-campanha esta semana reunindo prefeitos aliados. Para a segunda vaga.

Conclusão óbvia: por vias transversais, Paulo Mourão fez, com as declarações, o mesmo que Wanderlei Barbosa ao incentivar a divisão de candidaturas ao Senado.

Tanto Paulo quanto Irajá são originários do campo conservador. Paulo chegou a presidir a UDR de Ronaldo Caiado no Estado. E Irajá, da bancada ruralista desde a Câmara dos Deputados.

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