Os aliados de Laurez Moreira (PSD) negam que o vice-governador passe por dificuldades em sua candidatura.
Tão compreensível é a reação quanto verdadeira a percepção de sua desidratação. Incontestável.
Candidatos sempre são engabelados por assessores que tem sua própria leitura e narrativa de pesquisas e movimentação política.
A semana que começa amanhã será decisiva. Laurez oferece a vice ao PT. Como ficou claro nas reuniões em Brasília esta semana.
Pode já não ser o suficiente como o seria, por exemplo, há dois meses em que Laurez esnobou o partido de Lula.
Preferiu sassaricar com Ronaldo Caiado e os bolsonaristas que já tem seus próprios candidatos ao governo no Estado.
Como apurou o blog, Lula e Edinho Silva (presidente nacional do PT) não abrem mão do Senado. E lá, já tem Irajá Abreu (PSD) e Mauro Carlesse (PSD).
A direção que o PT, em nível nacional, agora dá à pré-campanha foi discutida com a direção regional do partido, presidida pelo militante Nille Willian.
E não um burocrata como atuava o ex-presidente estadual. Ou seja: a militância pode acordar do sono profundo dos últimos anos.
O calendário permite reversão do quadro por Laurez, ainda que as probabilidades sejam pressionadas pelo mesmo almanaque. Um dos dois senadores teria que ser expurgado.
Perdeu Laurez, com efeito, dias preciosos na sua escolha de Sofia, entre Amarildo Martins (Agir) e Ataides de Oliveira (Novo), em detrimento do PT de Lula. O agronegócio, as igrejas ou a política.
Neste ponto da campanha, a realidade, como é lógico, impunha busca de hegemonia e não julgamento de aparências ou direção cultural e moral.
É a filosofia da práxis.
Ao voltar-se agora ao PT, Laurez vê um grupo com musculatura para ter uma chapa competitiva. Apesar da Federação, uma majoritária puro-sangue.
Paulo Mourão ao governo e Kátia Abreu no Senado. Uma chapa brotada e irrigada pela própria inércia de Laurez.
Não é todo dia que se subestima o potencial de um presidente da República com possibilidade e probabilidade de reeleição. E de uma militância como a do PT.
Contra tudo e parte do próprio partido, Paulo Mourão saiu das urnas em 2022 com 10,64% dos votos válidos.
A terceira maior votação para governador. Mais votos que o senador Irajá Abreu (7,61%). E maior do que os atuais índices de Laurez.
E olha que a Federação PT/PV/PCdoB obteve nas eleições de 2022 mais votos do que o PSD para deputado federal: 70 mil contra 32 mil do partido do vice-governador Laurez.
Não elegeu federal porque foi prejudicado pela Federação. O presidente do PT, Zé Roberto, levou parte do partido para o palanque de Wanderlei Barbosa e Dorinha Seabra.
E a Federação fechou os olhos para a dissidência de dois deputados estaduais: Cláudia Lélis (que presidia o PV) e Ivory Lira (presidente do PCdoB) que receberam verba eleitoral da Federação mas a depositaram no palanque do Republicanos.
Com o aval da direção regional do PT que coordenava a Federação.
Obviamente que uma chapa Paulo Mourão/governo e Kátia Abreu/Senado balança o coreto não só de Laurez, mas de Vicente Jr e Dorinha Seabra.
E, por matemática pura, pode fazer até dois deputados federais, como projetou em 2022 e não alcançou.




