Terça-feira, 20 de Out de 2026

Governo decreta emergência com dois anos de atraso em Paraíso. Mas não pela falta de água, mas para produtores negociarem dívidas em bancos!! E expõe contradições insanáveis entre discurso e a comunicação de governo

20/10/2026 170 visualizações

O governo repetiu ontem o uso recorrente para expandir atos de ofício com o uso de redes sociais.  Ontem decretou emergência no Estado nos anos de 2025 e 2026.

Se fosse uma Covid-19, falta de água, oxigênio, comida ou uma peste bubônica, estaríamos todos já ao lado do “Senhor Jesus”. Como os 700 mil embarcados no governo de Jair Bolsonaro.

Após Wanderlei ir às redes com seu discurso sobre a emergência, a comunicação do governo circulou nota (as 22 horas de ontem à noite, leia aí do lado) informando que diria respeito a 2026 e 2027.

E aí desmentiria ou negava, no que contradizia afirmativamente, a colocação de Wanderlei nas redes de que teria que ter sido decretada a emergência no ano passado, "nos 90 dias de Laurez". Uma negligência ou prevaricação que exigiria passivo pelo menos político.

Faltaria explicar como uma emergência de 2026/2027 (que ainda não teria acontecido) retornaria a 2025 para iluminar irresponsabilidades presumidas de Laurez, como apontadas por Wanderlei no  Instagram. 

O vice-governador que disputou o primeiro turno contra Dorinha Seabra (candidata do governo) e, no segundo turno, apoia o deputado Vicentinho Jr, que, pelas pesquisas, tem ultrapassado a senadora.

Mas a coisa objetivada ontem pelo governo Wanderlei são os produtores rurais.

Um segmento do Estado que exportou no ano passado R$ 15,1 bilhões (na cotação do dólar de hoje) e que, de janeito a setembro deste ano, já havia comercializado R$ 13,1 bilhões com o exterior.

E tem renúncias incluídas na previsão de R$ 2,9 bilhões de benefícios fiscais em 2027, conforme a LDO no Legislativo encaminhada justamente por Wanderlei.

Wanderlei Barbosa deu ainda uma estocada em Laurez Moreira: o decreto deveria ter sido assinado no governo interino.

Não deu bola para o fato de, nas suas próprias colocações, a “emergência” tivesse supostamente acontecido em 2025 e 2026 quando, por 21 meses de dois anos, o próprio Wanderlei estivesse no cargo de governador. E Laurez apenas três meses.

O decreto teria sido assinado em Paraíso (que aí, sim, vive uma calamidade na falta de fornecimento de água potável pela BRK à população).

Ignorou o governo uma concessão de abastecimento de água e esgoto renovada antecipadamente com a BRK pelo prefeito (aliado da candidata do governo) até 2.049!!

E que deveria ser fiscalizada e punida pela ATR. Do governo.

Mas vamos à emergência com dois anos de atraso: ela se destina a (nas palavras do governador no Instagram) a que os produtores possam renegociar suas dívidas com instituições financeiras. Inclusive reduzir taxas de juros “que subiu muito neste período”.

Como é sabido, governos estaduais não tem competência (nem autoridade política ou administrativa) para determinar a redução de taxas de juros de mercado nem autorizar renegociação de dividas de produtores em bancos. Sejam estatais ou privados.

Some-se a isto que o setor produtivo tem previsão de renúncias fiscais no Estado de R$ 2,909 bilhões na LDO 2027 para uma estimativa de arrecadação de impostos de R$ 7,638 bilhões.  Ou: 38,09% dos impostos.

Maior (16%) que a previsão de renúncias de 2026 (R$ 2,5 bilhões).

Wanderlei deixou Paraiso para trás à noite depois do decreto de emergência que ainda não foi publicado no DO. Ainda que tivesse sido assinado antes da publicação do Diário.

E a população continuou com a falta de água potável. 

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