Não vejo, não entendo, mas compreendo razões de eleitores/leitores para votarem em Flávio Bolsonaro.
Apesar de muitos não compreenderem razões contrárias. Para a maioria, não concordar com as teses e princípios do bolsonarismo, é ser Lula.
E ser Lula é não ser gente com iguais direitos e deveres. Ou: um não parceiro a ser exterminado. Como faziam tanto Stalin quando Mussolini. Dois fascistas.
O primeiro de esquerda, o segundo de direita. Contrariando a tese bolsonarista de que o mal seria os comunistas (que eles vêem como sinônimo de esquerda).
No planeta (195 países), existem apenas cinco países comunistas. E o Brasil nunca foi um deles. Desde a queda do Muro de Berlim (1.989) só os bolsonaristas (que copiam os trumpistas) falam em comunismo.
Nestas mais de quatro décadas de jornalismo, no entanto, engrossei o couro. Quando falo de filosofia política, bolsonarista achacam o blog.
Tem um problema: minha bússola não é likes ou engajamento. Meus leitores são orgânicos. Não impulsiono publicações.
Se o fizesse, tanto para o lado bolsonarismo como petismo, teria um público fiel e mais penetração no público que se informa apenas pelas redes sociais.
Defendo a democracia liberal desde que, nos primeiros anos acadêmicos, no início da década de 80, tentei prevenir-me de providências equivocadas.
Percebia que o engajamento nas pautas do centro acadêmico XI de maio, da histórica Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás, não me preenchiam sob os argumentos colocados.
Ali me adjetivaram: trotskista. Substantivamente sequer sabia quem era ou tinha sido Leon Trótski.
Mas a denominação abria portas com as universitárias engajadas. E lá se vão 46 anos.
Não tinha carrão nem dinheiro para coletivo, mas tinha as militantes com quem debatiamos o imperialismo norte-americano, como acabar com o Projeto Jari, uma ocupação da Amazônia pelo bilionário americano Daniel Ludwig e o encabrestamento do FMI aos brasileiros.
Foi quando busquei nos livros entender o que era marxismo, leninismo, trotskismo, bolchevismo, stalinismo, fascismo e franquismo. Direita, esquerda e centro.
E discenir socialismo de capitalismo, comunismo, liberalismo, democracia e ditadura.
Há livros disponíveis até hoje aos montes. Muitos apodreceram pelo vício contemporâneo de informar-se por “influenciadores” das redes sociais.
Não vi (mas li) sobre a ditadura de Floriano Peixoto, Getúlio Vargas e dos governos militares pós-64. Todas elas diziam-se nacionalistas.
De igual modo não conheci, mas li sobre Stalin, Franco, Mussolini, Lenin, Fidel, Pinochet, Hitler, Idi Amin Dada, Jorge Rafael Videla, Sadam Russeim, Mao-Tse-Tung, Papa Doc (e tantos outros) com tudo que praticaram de horrores a adversários políticos e a população de modo geral.
Daí compreender porque defendem Flávio e Jair Bolsonaro nos seus direitos políticos de expressão. O desconhecimento (que é democrático e como tal não impositivo) é um direito.
Mas não pode ser utilizado como armamento contra aqueles que conhecem e, por tanto, procuram prevenir-se de consequências que o desconhecimento não vê ou ainda não tem repertório para enxergá-las.
Mas para entendê-los é necessário um escrutínio com a verdade (e com a história) que não demonstram interessar-se nem Flávio nem Jair.
Um ex-presidente (hoje preso) que tentou um golpe de Estado para que um presidente eleito democraticamente (Lula) não tomasse posse no cargo. Até acusações de planos de assassinatos foram descobertos.
Afinal como entender ser a defesa da soberania, por exemplo, apenas um acessório. Ou: a adesão do Brasil aos EUA só uma estratégia geo-política.
Esquecer as ameaças de invasão, a intervenção nos poderes brasileiros e as taxações comerciais condicionadas a soltura de um presidiário encarcerado após o devido processo legal.
Foi o que se viu no debate de ontem na Band entre Lula e Flávio.
Confrontadas a colocações do candidato do PL na TV com o que propõe ao país no dia-a-dia mas ruas e redes sociais (há muito, diga-se) estabelece um paradigma.
Exercitou um diversionismo barato em tudo que foi perguntado. Parecia uma criança esquivando-se do mal feito com expressões faciais e risos irônicos quando se discutia o futuro de mais de 200 milhões de pessoas.
E faz emergir um líder mentiroso, sarcástico e boçal. Que tentou aproveitar-se até da imagem do adversário, tirar uma boquinha da figura de Lula.
Atravessando a cena como um boneco ioiô, para “abiscoitar” uma casquinha em rede nacional do momento destinado ao presidente.
Obrigando os mediadores a aplicar-lhe corretivo na “palhaçada” que não tinha graça alguma.
E que a “imprensa nacional” tratou hoje como apenas a imitação de estratégia de Donald Trump. Na tese, seria um ganho publicitário.
Deve ser uma extensão da Faria Lima dando o seu recado. E Donald Trump mandando em Flávio até como se portar em debates.
Com a imagem de canastrão do presidente norte-americano como referencial.


