Campanhas eleitorais se assemelham mais a uma fábrica de consequências do que exposição de proposituras.
Senão vejamos: a campanha da senadora Dorinha Seabra não perdeu tempo (e nem tem esse luxo).
Fez, indevidamente, de um confronto retórico entre a entrevistadora e o entrevistado (Vicentinho Jr), ontem (na sabatina na TV Anhanguera), exemplo de violência contra as mulheres. E o amplificou a convertidos e não convertidos.
É a mesma campanha (de Dorinha) que fechou os olhos (e aí sim) para a violência doméstica a uma influenciadora em rede nacional do presidente do partido da Senadora, Antônio Rueda, revelada no mês passado.
Dorinha acusou Vicentinho, à época, de fazer uso indevido do fato.
Vicentinho, óbvio, foi ontem, na TV Anhanguera, mais emoção do que razão no embate.
É fato que o MPF o retirou da denúncia (o cerne da discussão). Mas o político é obrigado a dar respostas a tantas quantas forem as perguntas. É pago para isto. No voto e no salário.
Não existe a possibilidade de se esquivar da resposta com o surrado “me admira você me perguntar isso, matéria requentada, logo você, uma jornalista séria”.
Imagina isto sentado em cima do orçamento de R$ 20 bilhões do governo para 2027. Ou: R$ 80 bilhões em quatro anos.
Uma colocação que tem tintas de intimidação. E dirigida a uma mulher é perda total.
A campanha de Dorinha não titubeou com o “quindin” a oito dias das urnas. Ainda que o recorte da fala não captasse a imagem real.
Mesmo encobrindo o núcleo: denúncias contra candidatos. Tanto Dorinha quando Vicentinho já foram citados em investigações da polícia.
Dorinha chegou a ser condenada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em 2016 a cinco anos e quatro meses de prisão por compra de livros didáticos sem licitação quando Secretária.
Condenação que foi derrubada em 2018 no mesmo STF após embargos infringentes. Tudo público e acessível no portal do STF.
E Vicentinho sequer respondeu a inquérito ou virou réu no processo para o qual lhes apontam os dedos. Com pareceres da PF e do Ministério Público. Tudo público.
Ou seja, Dorinha abrir a discussão sobre isto a prejudica mais do que auxilia.
A campanha, no entanto, parece ter assumido o ou tudo ou nada.
No popular: ou calça de veludo ou bunda de fora. Até mesmo, nas iguais redes sociais, Dorinha dizer que não vai governar com acordos. Numa alusão à dispersão de sua base para Vicentinho.
Uma declaração que afronta os fatos públicos sabidamente conhecidos e reconhecidos.


