É de Nietzsche (Para além do bem e do mal) o axioma: “E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você.”
A reação da campanha de Dorinha/Wanderlei indo às ruas (a candidata está até sorrindo) – muito embora as pesquisas ainda não tenham registrado o resultado do movimento – tende a dar ao axioma de Nietzsche o sentido de teorema.
Dorinha e Wanderlei ficaram por meses olhando para o abismo que tinha nome: Vicentinho Jr/Amélio/Alexandre. Inertes como desinteressados ou despreocupados.
Mas ocupavam-se de suas vestes: exercitavam o vício do ilusionismo com postulações de candidaturas que a estratégia colocada em prática as destinava a natimortas para sobrevida de escolhidas.
Uma espécie de materialismo histórico de base invertida. Mas também carregado de autofagia. Ignorando que as sobras não sobrariam. Elas também teriam destino.
E aí o abismo passou a olhar para dentro de Dorinha/Wanderlei. Para efeito de raciocínio, tomemos o Real Times Big Data (ligado a políticos do grupo).
Dorinha que tinha 39% em março contra 13% de Vicentinho, passou (mesmo instituto) para 35% a 25% (junho), 33% a 30% (agosto), 42% a 36% (setembro), 44% a 39% (outubro) e 42% a 36% (3 de outubro).
Nas urnas deu 45,52% a 43,94% (dos votos válidos). Era o abismo não mais no retrovisor. Mas no espelho.
O Real Times Big Data tem pesquisa prevista para ser divulgada no segundo turno na próxima terça, dia 20.
Mas o Quaest desta semana registrou inversão: Vicentinho 49% e Dorinha 42%.
Ou seja: o abismo já está dentro de Dorinha e Wanderlei. Daí a exasperação da campanha para devolver o abismo ao seu lugar.


