A Pesquisa Quaest de ontem à noite (Globo/Centro-Norte-TV Anhanguera) diz muito das circunstâncias eleitorais, de institutos de pesquisas e de candidatos.
E do freio de arrumação que a Quaest fora obrigada, atropelada pelos fatos, a proceder em suas projeções. Mas atenção: divulgou os índices de intenções de votos mas omitiu a rejeição.
Como é público, a rejeção de Dorinha Seabra em todas as pesquisas anteriores superava a de Vicentinho e dos demais. Uma rejeição intermitente quase crônica.
Há, é claro, pesquisas encomendadas por candidatos em que ele divulga se o quiser.
Mas, partindo-se de um veículo de comunicação respeitado (e registrada no TRE), não seria, certamente, um reforço de imagem institucional e à credibilidade jornalística o expediente.
Faz lembrar os desgastes da OJC com as peripécias do Ibope (Carlos Montenegro) na década de 90. E que a obrigou a mudar para o Serpes.
Os números indicam refiguração na preconfiguração dos estratos estatísticos anteriores. E isto certamente não é acaso nem destino.
Decorridos dez dias após as urnas, a Quaest (Globo) publicou ontem o segundo turno no Estado: Vicentinho (49%) e Dorinha (42%) na estimulada.
Como pela pesquisa 4% disseram votar em branco ou anulariam os votos, na conta dos votos válidos (100% - 4%= 96%), Vicentinho teria 51,04% e Dorinha 43,75% dos votos válidos.
Uma diferença de 7,4 pontos percentuais que é a equação do TRE para certificar o vencedor.
Nas urnas no 1° turno (resultado divulgado pelo TRE), Dorinha teve 45,52% dos votos válidos e Vicentinho 43,94%.
Na ponta do lápis, Dorinha teria caído 1,77 pontos percentuais e Vicentinho aumentado 7,1 pontos percentuais em 10 dias (de 4 de outubro até a última terça/quando terminou a pesquisa).
Um por outro, o candidato tucano teria tisnado 8,8 pontos percentuais da adversária no período (dez dias).
Há outro recorte. A pesquisa da Quaest na véspera da eleição (3 de outubro) projetava 6% de brancos e nulos e 3% de indecisos. Nas urnas apareceram 11,95% de brancos e nulos.
Ontem a Quaest tentou equilibrar desequilibrando os votos válidos: apresentou na primeira pesquisa do 2° turno um índice de 25% de brancos, nulos e indecisos.
O mesmo índice de brancos, nulos e indecisos da pesquisa Quaest de 25 de agosto, 40 dias antes das eleições.
E maior do que os 9% de brancos, nulos e indecisos de 3 de outubro (um dia antes das eleições) da mesma Quaest.
Conclusão da Quaest: quanto menos opção de escolha existe, mais aumenta a possibilidade de dúvida do eleitorado do Estado.
Uma impropriedade lógica e estatística.


