O debate de ontem na TV Norte SBT Tocantins revelou estratégias políticas de candidatos e marqueteiros.
Um dos debates mais dinâmicos e proveitosos destes tempos em que a estratégia política fala mais alto do que necessidade de transparência.
Uma delas: Laurez Moreira (PSD) e Vicentinho Jr (PSDB) optaram por não ir à garganta da senadora Dorinha Seabra (UB). Adversária direta.
Preferiram perguntas que indicavam acusações veladas ao confronto direto. Fatos teriam aos montes.
Provavelmente inclinariam-se mais a perder do que a ganhar a uma semana das urnas.
Afinal, Dorinha apresentou-se com figurino de mulher frágil (que não é).
Em que qualquer ataque mais contundente poderia ser entendido como ofensa à mulher. Tudo que os seus marqueteiros desejariam.
São, afinal, cinco homens grandões contra uma mulher de aparência franzina na disputa.
Dorinha deveria muitas explicações sobre o continuar com mudanças (como apontou Laurez).
Vicentinho optou pela saúde e infraestrutura. E gastos.
Há, por certo, elevado grau de contradição no governo de Wanderlei Barbosa.
Vai bem em determinados pontos, mas terrivelmente mal em outros.
Atrás de Laurez nas intenções de votos, o ex-senador Ataídes Oliveira (Novo) discordou do "feitio" e escolheu ser franco atirador. Uma opção.
Não raro, descambou para o denuncismo puro, eivado de contradições, paradoxos, leviandade e arrogância.
Chegou a dizer que não precisa de dinheiro, que não quer ser candidato (mesmo o sendo) e quis saber se Dorinha, caso eleita, irá renunciar para que o vice assuma.
Ora, se Dorinha renunciar antes do diploma e posse, assume é o segundo colocado. Para assumir o governo tem que renunciar antes ao Senado.
Na hipótese de tomar posse no governo e renunciar ao cargo para que o vice assuma, Dorinha ficaria sem mandato nenhum, chupando o dedo. E ainda não está comendo alfafa.
A pergunda do ex-senador à Senadora diz bem de sua campanha e debate.
Mais não bastasse, Ataídes levou a família dos candidatos para dentro do debate político na tv aberta.
Apontando o dedo para Vicentinho e Dorinha. Um retrocesso político.
Witter e Du Pereira (PSOL e DC) exerceram suas funções no jogo.
As probabilidades de eleição são diminutas. Mas tem, cada um a seu modo e forma, conteúdo para apresentarem-se aos eleitores.
Mas algo ficou muito claro: a senadora Dorinha Seabra aparenta cansaço, apesar da disposição democrática de participar do debate.
Com efeito: não são poucas as pressões. É apresentada à rejeição (e isto implica no ânimo), e obrigada a defender o governo Wanderlei para justificar a continuidade (e apreender a aprovação popular do governador).
Aceitar um vice que não era o seu e ver Wanderlei dissecar a candidatura de Carlos Gaguim, seu parceiro-irmão. Dividindo seus votos com Eli Borges.
E ainda assim mantém-se com aceleração de 2º turno contra Vicentinho Jr e tem arrastado Carlos Gaguim.


