Sexta-feira, 5 de Jun de 2026

Ataídes derrapou forte com a chantagem indecente com o eleitor. Não diferente de quando defendeu que Bolsonaro fechasse o STF. E não é o eleitor/consumidor que deveria ao empresário. Atesta-o a sua própria declaração de patrimônio na Justiça Eleitoral

05/06/2026 313 visualizações

O ex-senador Ataídes de Oliveira (Novo) tentou explicar-se ao portal CT (do jornalista Cléber Toledo) ontem no discurso de que deixaria de investir no Estado caso seja derrotado por Dorinha Seabra ou Vicentinho Jr.

A primeira declaração (ao Opção Tocantins) é  indiscutivelmente contra os princípios da democracia. E do voto.

Uma excrescência mas que  não teria maiores consequências partindo de um candidato sem expressão nas pesquisas.

Era tão somente par de botinas de Ataídes. Só que diferente dos coronéis do século passado, ele não entregaria um pé antes e outro depois. O par só depois. 

Mas ele voltou a carga na defesa no CT que se pareceu com mais uma artilharia em prol daquilo que tencionava negar.

Lá, para apresentar a fatura a ser resgatada pelo eleitor, informou que o seu grupo empresarial teria investido R$ 925 milhões no Estado (entrevista do Opção Tocantins).Não falou dos ganhos.

Atribuiu tudo – conforme o Portal CT – a “desabafo” e “escolha pessoal”. E que não estaria praticando pressão econômica com o eleitor nem retirando-lhe o livre arbítrio.

Estaria fazendo o quê com a condicionalidade?Afinal, só havia uma assertiva na sua premissa de condição: não votar em Dorinha e Vicentinho. Ou: fazer o que ele impunha.

Ataídes, como se percebe, é um empresário inteligente. Mas um político – a tomar suas declarações – com problemas para aceitar as regras democráticas.

Nas definições de suas empresas, pode fazer o desabafo e escolhas pessoais que quiser. Mas nem lá, nas suas empresas, pode obrigar seus empregados a votar ou não votar. É crime eleitoral.

Nas disputas políticas, a escolha pessoal é do eleitor, mas o objeto é público, de todos. Ou seja, a explicação piorou a situação.

Ele quer que o eleitor entenda assim: se você votar em Vicentinho ou Dorinha, eu deixo de criar empregos.

Mas isto não é uma pressão. Você vota em quem você quiser. Um Estado onde 900 mil estão pendurados no cadastro único e meio milhão dependem do Bolsa Família.

Na vida real e empresarial, esse bondoso empresário aumentou seu patrimônio no Estado de R$ 15,4 milhões (primeira eleição que disputou como suplente de João Ribeiro/2010) para os R$ 38 milhões declarados em 2022.

Uma média de lucro de R$ 2 milhões anuais. Por essa conta, nas eleições deste ano pode apresentar  uma declaração de patrimônio de mais R$ 8 milhões. Ou: R$ 46 milhões.

Entre 2010 e 2014 (1º suplente/titular/assumiu em 2013), seu patrimônio saltou de R$ 15,4 milhões para R$ 28,1 milhões em quatro anos). Empresas como se nota lucrativas.

Ou seja, Ataídes deveria  mais ao eleitor/consumidor do que este a ele.

De 2010 até hoje disputou todas as eleições estaduais (governador e senador) e não conseguiu eleger-se.

Tenta novamente este ano pelo Novo (de Romeu Zema) que disputa com o bolsonarismo (de Dorinha e Vicentinho Jr) aquele que consegue ser o mais radical inimigo da democracia.

Ataídes é o mesmo que em 2019 (na presidência do PSDB regional) defendeu que o presidente Jair Bolsonaro fechasse o STF por três meses.

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