Do balanço do ano, o governador Wanderlei Barbosa deve traçar nos próximos dias o projeto de 2026. É o fluxo natural. Secretários devem ser chamados ao Palácio nessa semana.
Os indicadores, no entanto, projetam melhoria no desempenho fiscal (acomodação receitas/despesas). Isto se a curva não for interceptada por recaídas populistas.
E no STJ/STF, o governador recebeu tranquilidade de que ficará no cargo até julgamento da ação que sequer foi protocolada. Nem o inquérito está concluso para indiciamento.
No espectro político, Wanderlei tem tudo para comandar uma sucessão tranquila. Desde que seu grupo não se afaste da racionalidade. E engavete vaidades.
Uma delas: uma eventual aliança do Republicanos com o UB/PL pode enfrentar problemas com o PP. UB e o PP oficializaram federação.
O racha levou o PP a aproximar-se de Laurez, mas tem liga com Eduardo Siqueira (Podemos), cabo eleitoral de Dorinha (UB).
E Vicentinho (presidente regional do PP) foi secretário de Wanderlei (e o apoiou em 2022). Não haveria, portanto, maiores problemas a um retorno.
Os 15 prefeitos (2024) e 90 mil votos do PP (para federal em 2022) não são desprezíveis.
Mas o UB age para eliminar o PP da majoritária. Federação funciona como apenas um partido, fundo eleitoral, fundo partidário e tempo de propaganda.
O Republicanos enfrenta,ainda, suas questões internas. Amélio Cayres formou um grupo coeso e Wanderlei perdeu ativos no afastamento.
Do ponto de vista eleitoral (considerados os resultados partidários de 2022), o grupo próximo a Wanderlei tem, entretanto, potencial para esmagar a oposição.
Os sete partidos que podem formar a base (Republicanos/UB/PP/PL/Podemos/MDB/PSB) saíram das urnas na última eleição estadual com 603 mil votos para deputado federal. De 797 mil votos válidos para o mesmo cargo. Ou: 75,6% dos votos.
Os partidos que podem representar a oposição (PSD/PSDB/PT/PDT/PT obtiveram apenas 129 mil votos para a Câmara dos Deputados.
Se considerarmos os prefeitos eleitos em 2024, a diferença pró-Wanderlei se mantém. Os partidos que podem formar o palanque do governador elegeram 118 prefeitos. O equivalente a 84,8% das prefeituras.
Wanderlei, tudo indica, só perde a eleição se cometer atos falhos e desgarrados do bom senso e da razão.
Ou caia um raio que impulsione a oposição a inverter sua posição.
Mas na política, números racionais, às vezes, capotam.


