Muitos torcem o nariz quando aponto que o prefeito Eduardo Siqueira estaria recompondo não apenas seu espectro político, mas os ativos e acervos do siqueirismo.
Não é preciso muito prazo para que o sentimento ressurja na potência das redes sociais. A prevenção já conduz variações políticas.
Como o getulismo, ademarismo, luduviquismo e janismo, o siqueirismo é um estado patológico, um movimento, uma doutrina. O MDB bem que tentou criar o avelinismo.
Uma espécie de modernismo contra o conservadorismo. Siqueira, no entanto, era cearense, mas tinha o jeito de nortense. Avelino, piauiense, tinha a figura de um goiano de Guapó que não conhecia lobeira.
Eduardo tem seus pecados. Parece disposto a redimir-se com os próprios braços. Corre contra o tempo político e administrativo.
O comando do Podemos no Estado que lhe foi entregue ontem (com um deputado federal e três pré-candidatos de peso/Sandoval Cardoso/Osires Damaso/Vanderlei Luxemburgo) não é irrelevante.
E, obviamente, não é resultado do "nada". Mas de política e de confiança em algo. As opções aos envolvidos não eram reduzidas.
Tem estrutura financeira e capital político para disputarem qualquer cargo na legenda que escolhessem.
Sandoval é ex-governador (e ex-presidente do Legislativo), Damaso (ex-presidente do Legislativo/deputado federal) e Vanderlei Luxemburgo (técnico de renome nacional e internacional e empresário no Estado).
A arquitetura se dá um ano e meio após Eduardo eleger-se prefeito da Capital numa campanha praticamente solitária, sem recursos e tempo de tv para pronunciar meia dúzia de palavras.
Era considerado uma espécie de pária da política e sem a defesa do pai, Siqueira Campos, e dos aliados que se foram para campos mais promissores.
Agora, os fatos indicam que tenha conseguido inverter processos. É convidado por um partido a assumir a legenda para comandar a eleição estadual.
Quando se vê no Estado (e no país) pré-candidatos exigindo comandar legendas para entrar na disputa.
Na última eleição majoritária que disputou, Eduardo Siqueira teve 74% dos votos válidos para Senado.
Para comparação: a senadora Dorinha Seabra (UB) foi eleita em 2022 com 50,42% dos votos válidos.
É cedo. Mas não é tarde para Eduardo.



