A falta de tato político da base governista é notável.
Depois de mandar Amélio Cayres para a oposição agora declara guerra ao presidente do Legislativo demitindo (conforme o DO e a imprensa) duas dezenas de indicados por ele no governo.
Por enquanto, aponta-se que seriam nomeados por Amélio. Mas ainda não vieram a público para confirmá-lo.
As circunstâncias e os métodos palacianos levam à sua certificação. E não sem referenciais consideradas as reações de Wanderlei diante de adversários.
Um jeito próprio dele, legítimo mas capazes de mais espalhar do que agregar o pedidor de votos proporcional. Diferente de como se comporta com o povão.
Na tese, Wanderlei não necessitaria de lideranças para capturar votos. Bastaria o seu apelo popular. Uma temeridade que não é incomum ser desmistificada.
As demissões, entretanto, caso validadas como tal, não tem potência para alterar a situação partidária e política de Amélio Caryes na Assembléia nem na chapa de Vicentinho Jr. Já estão nas ruas!!
E soam, por isto, apenas como uma vendita desmedida e desproporcional. Se estabelecêssemos o expediente como regra, Amélio poderia atrair mesmo é compaixão.
Numa percepção popular de Amélio como digno de ser compadecido diante da falta de empatia de um incompassivo, Wanderlei.
Wanderlei está no cargo, em grande monta, porque Amélio arquivou o pedido de impeachment. Situação merecedora de muitas coisas. Menos de vingança. Não imperceptível no povão.
E elas, as demissões, se dão poucas horas depois de reunião tensa entre a Casa Civil, Fazenda e Administração com Amélio resistindo a solucionar a questão das MPs (indenizações e gratificações) – aquelas do veto - estuprando o Regimento e a Constituição.
Como o blog apurou, expressões como o "me respeita" daqui, "vocês e que tem que corrigir essa cagada" dali, e o "querem prejudicar o governo" de outro lado, correram soltas.
Os governistas chegaram a orientar Amélio a que pedisse uma questão de ordem no plenário para aceitar as MPs devolvidas!!! Um estupro maior ainda!!" à Constituição e ao Regimento.
MPs já devolvidas e devolução publicada no Diário Oficial. Ou seja, com tramitação exaurida. Uma barbaridade regimental.
Amélio quer auxiliar o governo, mas se nega a cometer o mesmo equívoco do Executivo no encaminhamento. E ainda absorver o ônus disso.
Apresentou saídas mas não abre mão de apreciar os vetos. Uma exigência constitucional que antecede à vontade política dos demais parlamentares de derrubar um deles como é visível na Casa.
O ataque direto do governo (com as demissões) pode escalar as escaramuças da relação Legislativo/Executivo. E aí a diferença de forças neste momento é indiscutível: o Executivo está dependendo mais do Legislativo do que o contrário.
Amélio estaria com a faca e o queijo nas mãos. Cutucado, pode partir para a lei de Newton: reação com mesma intensidade, igual direção e sentido contrário.
A vidraça circunstancial para oposição hoje é o governo. E não se sabe o que Amélio é capaz de fazer com o conjunto de informações privilegiadas que possui do governo nestes quatro anos de apoio e muita cumplicidade.
É nestas horas que é fortalecido o raciocínio de que o governo não tem articulação política científica nenhuma.Agiria com base no manda quem pode, obedece quem tem juízo.


