O governador Wanderlei Barbosa voltou a dizer na sexta em Paraíso que vai ficar até o final do governo.
Do seu lado estava o declarado pré-candidato ao governo, deputado Amélio Cayres. Do Republicanos que Wanderlei preside.
Atribuiu a reiteração da possibilidade de renúncia a setores da imprensa que estariam disseminando “a vontade deles” (jornalistas).
Sustentou a não renúncia à vontade de terminar o governo e avaliações de suposto equívoco de Siqueira Campos em 2014.
Elementos, claro, que não são ingredientes de uma mesma fatoração.
Siqueira deixou o cargo (dupla renúncia com o vice) para possibilitar a candidatura de Eduardo Siqueira.
E não dele próprio que poderia ser reeleito. Manteve entendimentos com o vice e não animosidade. E a renúncia é um permissivo legal. Um direito.
Sandoval Cardoso assumiu e só disputou a reeleição em função da inviabilização política de Eduardo. Não é o caso de Wanderlei com 73% de aprovação popular.
O governador, por outro lado, como cidadão de livre arbítrio, pode enxergar na renúncia nada que o acrescente mais do que a não renúncia.
Mas não alteraria a equação racional: trocaria oito meses de governo (e outro período sem poder político) por oito anos de mandato no Senado.
Com direito a fórum privilegiado por prerrogativa de função, salários, gabinetes, passagens aéreas, apartamento funcional, emendas e mandato.
E ainda a possibilidade de eleição dele, da 1ª dama a federal e dos irmãos a estadual (há dois interessados). Todos dependentes da renúncia.
Num cenário em que pode ser subordinado políticamente a Dorinha Seabra (se eleita).
Dorinha, por lógico, se conseguir obter êxito, aplicará seu próprio projeto. Terá a representação do eleitor.
Com direito a reeleição e de solidificar seu próprio grupo e projeto.
Até agora desatrelado do projeto de Wanderlei como é muito claro.
Não se vê Wanderlei de mãos dadas à Senadora, muito embora aparentemente estejam juntos em solenidades.
Com Laurez Moreira ou Vicentinho Jr, pior ainda.
Wanderlei, entretanto, deixou escapar isto no final do seu discurso em Paraíso:
“Vou entregar a faixa para a próxima gestão. Não vou negociar com ninguém, não discuto. Se vocês me convocarem lá na frente é outra história, mas neste momento estou decidido”.
Isto tudo depois de um discurso em que fez um balanço (positivo) do seu governo. E que, tem, sim, pontos relevantes, bem superiores a seus antecessores no Palácio Araguaia.
E ai a pergunta: o que ganhariam os jornalistas com Wanderlei no Senado? E não no governo.




