O encaixe do governador Wanderlei Barbosa, Amélio Cayres com Dorinha Seabra, Eduardo Gomes ou a fissura no grupo depende, em larga medida, da percepção do que é acidente e calculado, acessório e principal, necessário ou contingente.
O Republicanos de Amélio e Wanderlei é, até aqui, levado como acessório por Dorinha Seabra (UB).
Muito explícito na antecipação da chapa majoritária sem o partido do governador. Um risco que não precisa de muito para transformar-se num erro de cálculo.
O episódio de Taguatinga no carnaval é icônico quanto a isto. Dorinha (e a chapa) teriam optado por um evento do atual prefeito Paulo Roberto e ignorado a festa de aniversário do ex-prefeito, Miranda Taguatinga.
Paulo foi adversário de Dorinha em 2022 e até dias atrás se dispunha a ser coordenador de campanha de Amélio ao governo.
Já Miranda fora cabo eleitoral da senadora na última eleição. Um colégio de 10 mil eleitores e forte influência no Sudeste. “Ela tem escolhido onde ir”, disse ao blog um prefeito da base.
A dissenção na base pode-se atribuir, em grande parte, à estratégia protelatória de Wanderlei. Apesar do STJ/STF conserva 70% de aprovação.
Uma direção pode ser dada nesta segunda quando o governador reúne prefeitos do Estado para anunciar recursos.
Território em que ele domina. O governo repassou no ano passado aos prefeitos R$ 1,897 bilhões.
É 57,5% acima dos R$ 1,209 bilhões repassados no último governo de Mauro Carlesse (2021). Contra o crescimento de 53,4% das receitas consolidadas no período.
Se em 2020, por exemplo, no governo Mauro Carlesse, os repasses representavam 8,87% das receitas, no ano passado eles elevaram-se a 15,5% das receitas consolidadas. Praticamente dobrou o percentual.
Esse aí o fundo onde deveria estar assentada a figura de Dorinha Seabra e que pode escorrer para Amélio.
Muito disso pelas sensações que parecem impulsioná-la (considerando a impressão de aliados).
E que, como sensações, tem a capacidade de falsear a análise da percepção.
Mas ainda há tempo.

