O governador Wanderlei Barbosa veio a público ontem para tentar amarrar as pontas soltas do acordo de apoio à chapa da senadora Dorinha Seabra.
Atenção: Wanderlei é livre para apoiar o candidato que achar melhor e por suas razões desde que legítimas.
É governador, eleitor, cidadão e preside a comissão provisória estadual do Republicanos.
Está sujeito, por isto, a ser submetido somente ao escrutínio político de suas decisões, com ônus e bônus. Dentro do partido.
Não pode é misturar projetos pessoais com as questões de Estado e governo. Fora disso, é o jogo.
Tem feito um governo muito melhor do que seus antecessores. Dentro da Lei de Responsabiidade Fiscal, apesar de equívocos pontuais e falta de planejamento.
Mas há muitas pontas. Quer ver? O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, é um dos advogados de Wanderlei no habeas corpus no STF.
O dirigente terá sobre sua mão R$ 243,5 milhões de fundo de campanha este ano (dinheiro público).
Se o Republicanos decidir dar uma mãozinha a Wanderlei e pagar-lhes advogados, Pereira poderá vir a assinar o cheque que pagará seu próprio trabalho.
Já advogado Antônio Rueda (presidente nacional do UB) já teve a irmã (Mila Rueda, também advogada) anunciada como suplente de Carlos Gaguim.
O UB tem este ano R$ 318 milhões de fundo de campanha. Como é óbvio, a destinação do dinheiro de fundo de campanha por si não obsta desvios de finalidade corriqueiros na administração publica, que dirá partidária que é privada.
Explicou ontem Wanderlei que entregou o governo e o Republicanos (que preside) ao UB em troca do apoio que precisava em Brasília (DF) dos senadores (Dorinha/UB-Eduardo Gomes/PL). Entrevista expandida ontem nas redes sociais.
E qual o apoio:
“Andando comigo, estando do meu lado, me motivando, mostrando a verdade onde precisava mostrar”.
Mais: “o compromisso não era para eu voltar.(...) Quem me voltou foi o poder Judiciário”.
A declaração de ontem se opõe frontalmente às explicações de anteontem quando disse (entrevista também publicada nas redes):
“Esse compromisso foi feito por uma provocação do presidente Amélio Cayres que me ligou junto com o deputado Vilmar e falou: governador faça o compromisso que precisar ser feito para o seu retorno. E eu não vou fazer um compromisso e fazer de conta que não fiz.”
Confrontadas, anteontem o compromisso era pelo retorno. Já ontem, o custo do Uber de Dorinha e Eduardo em Brasília (DF) que já vinha com sessões de psicanálise motivacional embutidas.
Amélio recebeu ontem uma dezena de vereadores e o deputado federal Alexandre Guimarães. E refugou convite para ir ao evento do UB/PL amanhã onde a figura central é Wanderlei.
E ainda não veio a público para confirmar ou negar "a provocação" do compromisso com Dorinha/Eduardo.
Pelo contrário: mantém a disposição de enfrentar Wanderlei (até mesmo na negação) por uma candidatura ao governo.
Um sinal de coisa desarrumada e não de amarração.
E que no popular indicaria que esse Uber de Dorinha em Brasília (DF) teria ficado “os olhos da cara” não só para o Republicanos.



