Vicentinho saiu-se das urnas ontem com 64,52% dos votos válidos. Os 36,48% de Dorinha conferem tintas maiúsculas ao apoio popular (e eleitoral) do tucano.
É a maior votação tanto relativa quanto absoluta de um candidato ao governo desde 1.988 (primeira eleição no Estado). Naquele ano, o deputado federal Siqueira Campos bateu o também deputado federal Zé Freire por 62,41%.
Depois viriam Moisés/55,9%(1.990), Siqueira/58,73% (1.994), Siqueira/61.85% (1.998), Marcelo Miranda/60,80% (2002), Marcelo/51,49% (2006), Siqueira/50,52% (2010), Marcelo/51,30% (2014), Carlesse (57,39% (2018) e Wanderlei/58,14% (2022).
A derrota imposta pelo deputado Vicentinho Jr à senadora Dorinha Seabra, com efeito, resulta, pode-se de fato inferir, de fatores diversos. E é preciso entendê-los para dar-lhe compreensão.
Tanto à derrota de Dorinha quanto à vitória de Vicentinho e seu papel no historicismo regional do ex-Norte goiano, hoje Tocantins.
De algum modo expondo Schopenhauer que tinha o mundo como representação de uma vontade. Ou seja, o mundo seria a representação do que queremos. E não é.
É inegável que haveria preponderâncias no desempenho da Senadora: o centralismo indecifrável da parlamentar que terminou espelhando mais que uma característica de sua personalidade: a indisposição para corrigir intercorrências dela decorrentes.
No popular, a título de representação Dorinha nunca teve cheiro de feira e chambari (para os linguistas, chambaril).
Se ligava mais no “ossobuco” parisiense, apesar de vir a ser a mesmíssima coisa: osso com buraco. Dentro dele, o tutano que Dorinha deve tratar como colágeno.
De fato, compareço, por exemplo à Feira da 304 Sul (Palmas), desde o início dos anos 90 e nunca tinha cruzado com a parlamentar por lá. Uma falta de coincidência, claro.
Moisés Avelino (ex-governador) também não era muito chegado a lamber os beiços com tutano. Siqueira fazia questão.
A diferença, neste referencial, entre Dorinha, Siqueira e o governador Vicentinho ontem eleito é que este foi criado dentro da feira, comendo chambari e bolo de arroz.
Não necessitaria atuar para dizê-lo ou demonstrá-lo. Não gostar de chambari ou feira não é demérito algum. Mas é seguramente uma distância daquele que não tem grana para comer um filé ou lambuzar-se num restaurante.
A Feira sempre foi local onde os pioneiros se encontravam para cultivar suas raízes.
E quanto mais os dias de calor e potós se passavam, mais famílias chegavam e encontravam na feira um pouquinho de seus lares deixados para trás. Na busca do futuro. Foram 36 anos.
Na Feira do Aureny (que antecedeu a da 304) era o mesmo ritual.
E nada de Dorinha. Como o fez na campanha com jornalistsa!!! Só os escolhidos sob o seu dedo regulatório.
Como muitos tem conhecimento superficial, Dorinha caiu numa areia movediça, agravando, o salto alto e a distância do cheiro do povo, sua disputa com um adversário 20 anos mais jovem, que come chambari e não precisa de Sonrisal para digeri-lo - com o contraste da simpatia - no estômago.


