A campanha de Dorinha Seabra necessita mais cuidado com os números.
Se ficar cravado que a candidata mente, caem por terra os fundamentos que tem demonstrado para suprir sua deficiência de orientação espacial.
A primeira mentira é escandalosamente indecente: a campanha propaga que Dorinha foi a senadora que teve mais votos no Estado para Senado.
Basta dar um Google para saber que a ex-senadora Kátia Abreu na primeira disputa para o Senado (e contra o ex-governador Siqueira Campos/Eduardo Siqueira) saiu das urnas com 51,08% dos votos. Com o apoio de Marcelo, reeleito.
Dorinha, em 2022, com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, obteve 50,42% dos votos.
Os marqueteiros fizeram Dorinha também discursar esta semana que ela teria trazido R$ 3 bilhões para o Estado "ao longo de sua trajetória no Congresso Nacional".
Tem parlamentar que se orgulha de ter mandado recursos de emendas para pagar show do Caneta Azul ou mesmo do Grelo. E o que dizer do casca de bala de um tal Thulio Milionário!!
A idéia bruta e primitiva é a relação de troca: trouxe o dinheiro, tenho direito, obrigatoriamente, a mais mandato.
O obstáculo é que o eleitor paga antecipado com o voto. Se o parlamentar mostrou serviço, apenas cumpriu sua obrigação pelo qual é muito bem pago durante o quadriênio.
A variação, entretanto, que a tese permite nas circunstâncias atuais – e esta a mais inteligente – é a de que o apoio de Wanderlei Barbosa (governador e presidente do Republicanos) seria resultado do trabalho dela. Uma consequência da qual seu desempenho teria sido a causa indutora.
E não da vontade política do Chefe do Executivo. As escaramuças da pré-campanha e da escolha do vice não deixam margem de certificação.
Um governador com alta aprovação popular e um governo melhor que muitos por aí. E que se diga: sem o apoio desta mesma bancada federal.
Agora os números (neste domingo) da Secretaria do Tesouro Nacional:
Nos últimos quatro anos (2023 a agosto/2026) todos os deputados federais e senadores consignaram de emendas individuais e de bancadas para o Tocantins (governo e municípios) a soma de R$ 2,465 bilhões. Isto mesmo. Os 11 parlamentares. Para o governo e municípios.
Só para o governo (emendas individuais e de bancada) deputados e senadora mandaram a Wanderlei apenas R$ 287 milhões. Ou: 11,6% do orçamento de emendas. Uma migalha.
Nesse período aí Dorinha foi a coordenadora da bancada. Com todas as prerrogativas de coordenadora e eleita Senadora indiscutivelmente por Wanderlei.Uma bancada eleita no rastro de Wanderlei.
Dorinha, como é público, das três eleições que disputou e venceu para federal, em duas delas quase não conseguiu eleger-se. Foi a 8ª votação (2010/38 mil votos), 8ª votação (2014/41 mil votos) e 6ª votação (2018/48 mil votos). Aumentou, com mandato, 10 mil votos em doze anos. E foi eleita senadora em 2022 com 395 mil votos. A equação é óbvia.
Nem mesmo somando os três mandatos de deputada federal a equação bate. Cada deputado tem R$ 40 milhões (2026) anuais de emendas, Dorinha exerceu três mandatos, totalizando os 12 anos a soma de R$ 480 milhões (individuais) aos municípios e governo. Isto mesmo. Não só ao governo, mas também aos municípios. Mas a campanha soma tudo:governo e municípios.
Dando uma forçadinha, somando estes R$ 480 milhões ao total de R$ 2,4 bi da bancada toda(sim, todos deputados e senadores) entre 2023 a 2026 (e para governo e municípios), ter-se-ia R$ 2,8 bilhões.
E estaria aí, é possível inferir-se, os “quase” R$ 3 bilhões que Dorinha diz ter trazido para o governo.
E que pelos números da STN não foram só para o governo e também não alcançaram o valor propagandeado.
Um vale tudo eleitoral. Afinal, toda mentira precisa de um pouco de verdade para ser entendida como verdadeira.


