Não sou defensor do que Spinoza considerava simpatia malévola para exprimir maldades desinteressadas. Mas o conflito empregado/empregador no poder público do Estado remete a paradoxos incontornáveis. É, metaforicamente, como se o cachorro corresse atrás do rabo.
Os servidores expandem a possibilidade de greve. Reivindicam os 5,07% da correção inflacionária e que o governo suspenda os descontos das contribuições do seu plano de saúde. Do outro lado, o governo amplifica que está negociando débitos e que busca equalizar a relação receita/despesa do plano.
A lógica matemática sugere que, suspensas as contribuições, o plano eliminaria uma das formas de regularizar suas contas. O hiato de receitas (ainda que só orçamentário), acarretaria na inexistência de possibilidade de financeiro para o período. E que se note: o servidor já tem uma aposentadoria com salário da ativa.
Se apenas suspensas, poder-se-ia até raciocinar sobre uma negociação da reposição do que não foi descontado. Mas aí, sobrecarregaria mais ainda os contracheques por determinado período, dado que o plano tem, também, despesas correntes de custeio já que o governo não poderia financiar o não desconto. Abrindo novo campo de batalha reivindicatória com os funcionários.
No que interessa à população, os dois setores (governo e servidores), ainda que sejam faces de uma mesma moeda, isolam suas finalidades. O governo gastou com servidores (de janeiro a outubro deste ano) o equivalente a R$ 5,1 bilhões.
O dobro do que aplicou em educação e saúde (R$ 2,4 bilhões), duas de suas obrigações e investiu na melhoria da qualidade de vida do cidadão apenas R$ 274 milhões
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