Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Sentindo-se ameaçada, Cínthia pede medida protetiva contra you-tuber e pastor expulso da Polícia Militar e sua "liberdade de expressão" particular

luizarmandocosta 31/10/2019 767 visualizações

A decisão da prefeita Cínthia Ribeiro de pedir medida protetiva da Justiça (uma distância de 500 metros) contra um you-tuber (ex-militar, demitido da PM e que se identifica como pastor) impõe à Justiça (que o liberou da prisão militar por motivos semelhantes) um juízo adicional.

Com efeito, opinião e crítica (seja de jornalistas, youtuber ou redes sociais) não atraem e nem se coadunam com ameaças físicas. O expressão de liberdade constitucional é do cérebro e do pensamento e não dos músculos e instintos primitivos.

Ultrapassar o ponderável remete a reflexões já que qualquer um pode cometer erros. Mas cometê-los indefinidamente sem a percepção de empatia presente no ser humano, mas justamente o contrário, como uma provocação desmedida, deixa o terreno da normalidade.

Afinal, não estaria em questão, desta feita, apenas o extrapolamento da liberdade de expressão, mas indícios, segundo o acusa, de ameaça física pessoal como aponta a vítima, não só a mulher e mãe, mas a Chefe do Executivo metropolitano.  E responsável pela administração anual de recursos da ordem de R$ 1 bilhão e 200 milhões e uma cidade de 300 mil habitantes. Ou seja, vários graus (e degraus) acima.

Lá na detenção pela Justiça Militar, determinados setores da própria imprensa e das redes sociais enxergaram nas veiculações sobre o governador do Estado (que também buscou a Justiça) e ao Comandante da PM, feitas pelo mesmo you-tuber, a mordaça aos meios de comunicação e uma ofensa ao direito constitucional de livre expressão em vídeos publicados nas redes.

Fizeram campanhas em seu favor.  A Justiça Militar não viu dessa forma. Neste espaço defendi que, se a JM decidira, depois de meses na prisão, que ele não levaria mais riscos à sociedade (como a prisão evidenciava), era imponderável que limitasse seus movimentos fora dela, como o fez, já que também evidenciava, na soltura, o contrário: a desnecessidade de detenção. Ainda que o CPP e o Código Militar a autorizasse.

A situação tem também suas nuances políticas. Adversários da prefeita amplificam o que consideram a sua suposta resistência e aversão a críticas à sua administração de que a reação ao you-tuber fosse mais um desses espasmos. Uma corrente que impulsionou, nas redes, dias atrás, o bloqueio que fez do ex-prefeito Carlos Amastha, na sua conta pessoal no face, instagran e twitter.

De igual natureza à corrente que defendeu a "livre expressão" do you-tuber no caso do Governador. E que, pelo princípio da boiada, pode transmutar o sentimento enviesado e deturpado de liberdade de expressão constitucional, para a ação da prefeita na Justiça, na mesma linha de pensamento de reação à ação do Governador.

Isto, na tese esdrúxula e imbecil, comprovaria o que pretenderiam pespegar no perfil político tanto da prefeita e do próprio Chefe do Executivo estadual. E ainda estamos a um ano das eleições.

 

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