Lula dificilmente se livrará da inelegilidade mas a formação diária do conceito de que não teria sido julgado e condenado sob princípios legais dá sobrevida ao PT e o impulsiona a vislumbrar a possibilidade de retomar o poder no próximo ano.

Que Lula não foi tratado dentro das regras do estado democrático e de direito já está mais do que provado. Há evidências, por outro lado, de que o governo do PT se beneficiou de recursos públicos, fartamente comprovadas com os milhões de reais devolvidos por empreiteiros e agentes públicos investigados e presos. 

No Estado o PT tem duas correntes majoritárias. Uma ligada a Lula e outra aos mais extremistas do PSOL. Ambas, entretanto, paradoxalmente governistas. Ou seja, fazem parte da base de apoio de um governador empresário e de partido de direita: Democratas. Legenda que deu apoio ao candidato de Jair Bolsonaro, outro direitista investigado na Lava-Jato, na presidência da Câmara.

As intervenções e escolhas políticas das maiores lideranças petistas com mandato eletivo como Zé Roberto, Amália Santana (Assembléia) e Célio Moura (Câmara dos Deputados) - sem qualquer reparo das instâncias partidárias regionais e militância - com efeito, não incentivam, assim, a existência de um projeto alternativo no Estado para contrapor-se à estrutura vigente. E aproveitar-se da possbilidade de uma eleição binária, (do ponto de vista ideológico) que pode voltar em 2022 entre direitas e esquerdistas, progressistas e conservadores.

Dai os deputados do partido no Estado (nem diretórios e comissões) não esboçarem qualquer reação à guerra de movimentos iniciada por Lula e Fernando Hadad nos últimos dias, defendendo um e outro a disputar a presidência contra Jair Bolsonaro ou João Dória. Num claro chamado da  militâncias às ruas.

Ainda que o PT no Tocantins tenha obtido relevante número de votos para seu candidato majoritário ao Senado, Paulo Mourão (e eleito o primeiro deputado federal do partido no Estado, Célio Moura), há apenas dois anos, quando o eleitor foi duas vezes às urnas num período de 90 dias.

Mais que nunca, de todo modo, o PT tem que realizar sua própria diáspora se quiser sobreviver no Estado em futuro bem próximo. 

Afinal, o direitismo (e a falta de projetos e retórica petista) de Amália Santana e Zé Roberto (no Legislativo estadual), somada à inação da militância não podem levar a um projeto substancioso que consiga convencer a população de sua validade. 

Mesmo com farto material para formação de uma massa crítica a seu favor.

 

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