Da noite de ontem para cá tenho recebido mensagens de evangélicos sobre o artigo que publiquei (https://www.luizarmandocosta.com.br/noticia/igrejas-evangelicas-defenestram-presidente-do-ptb-e-colocam-no-cargo-empresario-defensor-de-fujimori-e-bolsonaro-cuja-familia-prosperou-com-prodecer-que-engoliu-propriedades-de-pequenos-donos-de-terras-no-estado/33625) tratando da ascensão do novo presidente do PTB estadual. Uns o refutam de forma educada, outros soam como a voz de pastores exorcizando o “diabo”.
Este o ponto: nos Estados democráticos laicos as diferenças religiosas não podem ser elementos de discriminação política. Desde o iluminismo, no mundo civilizado e democrático, todos são iguais perante as leis sem influência de suas opções individuais.
Estão aí o efeito contrário em sunitas e xiitas, árabes e judeus. No Brasil caminha-se para oposição entre ateus e crentes, católicos e evangélicos, brancos e negros,homos e héteros, ciência e curandeirismo, afrontando o estado democrático e de direito de que este PTB evangélico no Estado é um risco como uma faca na garganta de ateus e agnósticos.
A prosperidade, não dos evangélicos mas de sua plataforma política, por aquilo que expressam, conduz a que todos sigam o determinado por sua religião quando seus líderes ocuparem cargos de representação de natureza pública e política.
Ou seja, caso façam maioria, os homossexuais iriam para o calabouço, os ateus queimariam na fogueira do inferno, o adúltero morreria na cadeira elétrica e quem não tomasse cloroquina estaria condenado à morte eterna. Opções absolutamente individuais e que não podem ser determinadas pelo poder religioso que dirá político.
Quando nas democracias, minorias e maiorias tem os mesmos direitos. Um deles no país é que o ladrão não terá a mão cortada como pena de roubo, para alívio de líderes religiosos que transformaram igrejas em franquias de negócios lucrativos.
Na verdade quando evangélicos buscam cargos políticos e de poder estão contradizendo seus dogmas centrados na religião como elemento de solução dos problemas terrenos. Ou seja, ataca o homem no seu último refúgio. Sem prejuízo de que nas mãos do governo, a religião se torna instituição ameaçadora (vide as cruzadas).
PS: no Tocantins (conforme a FGV/2019) cerca de, 70,6% dos tocantinenses, ou um total de 969.727 pessoas, são católicos. O Estado tem 21,96% de sua população (301.631 pessoas) declaradas evangélicas.
Ainda assim, os evangélicos do novo PTBEvan querem governar o Estado, ocupar uma vaga no Senado e já ameaçam ter a ministra ultraevangélica, Damares Silva, como deputada federal pelo PTB do Estado.
Uma escolha garantida pela Constituição Federal. A mesma que garante igualdade religiosa a todos e que os evangélicos não aceitam na sua pregação. De outro modo: venha a nós, tudo. Vosso reino, nada.


