Não se pode chamar de burro esse japonesinho, Alex Kawano, que assume o PTB no Tocantins, defenestrando do cargo e do partido o presidente da Assembléia Legislativa e deputado por quatro mandatos, Antonio Andrade.
O vice do partido agora é um pastor evangélico e a dupla se diz apoiada pela Sara Nossa Terra, Igreja Mundial do Poder de Deus. Igreja Nova Chanca Church e Assembléia de Deus Ciadseta.
De outro modo, os evangélicos assumindo de vez sua natureza mundana já presente nos dízimos e outras picaretagens de cura e na dívida milionária de R$ 420 milhões de impostos. Tudo sob o manto sagrado da prosperidade e orientação de Roberto Jeferson, a grande alma pura pastor de ovelhas desgarradas e agarradas, o impenetrável e íindefectível Xamã.
Depois de acertado o negócio (com supostas inimagináveis e não publicáveis somas costumeiras no ramo) com o presidente nacional do PTB, o venerável criminoso (foi condenado) Roberto Jefferson, Kawano pediu à população do Estado (os eleitores) que o passado deve ser lembrado pelos feitos com o Japão.
Deve esperar, a prevalecer a regra colocada, que os mesmos eleitores esqueçam a condenação (por sete anos) de Jeferson pelo STF, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Situação que não era também desconhecida do presidente despachado.
E qual é o passado? E os feitos a que se refere Kawano? Ora!! do pai, o também japonês Kenji Kawano, que o então governador Siqueira Campos remunerava no idos de 94 para acompanhá-lo (como intérprete) nas suas viagens ao Japão para captar recursos para o Prodecer iII.
É provável que Alex (o novo dirigente do PTB regional) fosse uma criança há 27 anos e não esperasse, nem mesmo o paí, tanta prosperidade nas quase três décadas seguintes. Muito menos sucesso político numa nação onde os políticos quando cometem crimes são firmemente condenados à prisão quando não se matam pela desonra, como são os japoneses. Nada parecido com a biografia e o impulso principial de Roberto Jeferson.
Sabe-se agora que o novo presidente o PTB é diretor executivo do grupo Kenbridge Consultant, cujo presidente é nada menos que o pai, Kenji Kawano. Ou seja, o negócio virou ouro, enquanto os tocantinenses ficavam mais pobres e sem sua terra. Nada ilegal, que se note. Mas prosperou até agora já ter um partido político para chamar de seu.
O Prodecer foi aquele projeto que Siqueira conseguiu trazer para o Estado nos anos 90, desapropriando terras no Nordeste tocantinense e entregando-as a grandes empresários do Sul do país. Até um general teve seu latifúndio.A preços de banana quando não apenas doados.
Muitos não produziram uma abóbora, seguraram as terras e as venderam anos mais tarde a preços estratosférios dada a valorização impusionada pelo investimento público (financiamentos pagos pelos plebeus) na região. Não gastaram nada, não criaram um emprego sequer e embolsaram milhões, deixando para trás pequenos proprietários sem as suas pequenas propriedades.
Hoje, a região um dos maiores produtores de soja do Estado que não paga imposto (Lei Kandir) e recolhe na faixa de 3% de ICMS na circulação interna contra os 25% que o consumidor recolhe no preço dos alimentos no supermercado. Os pobres continuam no mesmo lugar.
O governo de Siqueira chegou a dar aval a financiamentos de US$ 25 milhões do Japão, hoje R$ 125 milhões!!! Intermediação de Kenji nas conversações nipo-tocantinenses, figura carimbada no Palácio Araguaia para quem, como eu, fazia cobertura política da época. Um então intérprete burocrata e disciplinado.
Uma época em que Siqueira queria trazer todos os nisseis para o Tocantins porque os considerava portadores de renda. Acabou contentando-se com os buscadores de rendas que agora tem partido para instrumentalizar abocanhar cargos políticos eletivos e dar segurança política ao poder econômico de que dispõem.. Ou seja, empurrando mais um pouco naquela população de baixo que já não vê representação nos que elegeu nestes 32 anos de Estado.
Um destes descendentes, agora, sem qualquer experiência político-partidária, mas ideologicamente decidido, tomou o PTB de Andrade. Nas suas redes demonstra apoiar a corrupta Keiko Fujimori, candidata derrotada a presidente, filha do ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, preso por corrupção e o presidente Jair Bolsonaro.
Auto-intitula-se nas redes sociais como “Filho de Deus, Brasil, Japão e do Tocantins! “ e diz que o partido terá candidato a senado e a governo, defendendo a reeleição de Jair Bolsonaro.
Se a sociedade política e civil democrata não reagir, as Assembléias Legislativas, Congresso e governos correm o risco de transformarem-se no reino não de Deus, mas dos Deuses pagãos cujo conservadorismo é só uma capa para encobrir ditadores baratos que carregam internamente, mas que saem muito caro às liberdades individuais e coletivas. E à civilização.


