Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Explicações da Segurança Pública não conseguem afastar o crime praticado, não por Vicentinho, negado por vítimas e "laudo" arquivado. Mas por marqueteiros e servidores com acesso a documentos sigilosos

23/10/2026 194 visualizações

Antes, um informe: o Sindicato dos Peritos Oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins anunciou oficialmente no último dia 12 de outubro de 2026 apoio à candidatura da senadora Dorinha Seabra ao governo. Público e oficial.  Não foi um apoio simples: foi anunciado no Comitê de candidatura da candidata com toda a pompa.

Agora vamos lá: o secretário de Segurança, Luciano Barbosa (um delegado sério), numa coletiva de 1 minuto e 45 segundos, confirmou esta tarde a autenticidade das informações do laudo de exame de corpo de delito envolvendo a ex-esposa do candidato ao governo, Vicentinho Jr.

O laudo foi vazado às 22h (durante o debate na TV Anhanguera) e menos de dois minutos após já estava em praticamente todos os portais de notícias. Uma correia de transmissão surpreendente e que tem seu custo. Não só financeiro.

O Secretário cuidou de alertar na coletiva a autenticidade dos dados contidos na cópia vazada. Coisa distinta de autenticação do laudo vazado. Mas ninguém liga muito para minudências. O laudo vazado tem  um carimbo de arquivado. Disto não tratou o Secretário.

Obviamente que a confirmação das informações do  laudo vazado não é confirmação do  laudo. E é elementar que, se não se tem um laudo vazado e só a confirmação de informações, não haveria laudo vazado. Sem crime de vazamento de documento sigiloso,

Diz-se de perícia. Ora o laudo teria sido arquivado!!! E já se passaram 17 anos. Nesse periodo, Vicentinho foi eleito por tres vezes deputado federal. No grupo de Dorinha Seabra e Wanderlei Barbosa.

Mas faltam apenas três dias para as urnas. Em que Vicentinho, agora, disputa o governo contra Dorinha e Wanderlei. Não está difícil descobrir o fio da meada.

No laudo vazado, o perito (obrigado ao sigilo) informa que a agressão seria com um objeto contundente: um molho de chaves. Mas atenção: ressalta o Secretário Segurança Pública que a Lei Maria da Penha (à época) condicionava o inquérito (investigação) a representação da suposta vítima. E conclui: como não houve, imagina-se não ter havido inquérito. Sem crime a ser investigado.

Não vou entrar no mérito do que seria agressão ou não. Mas as declarações hoje das peritadas supostas vítimas -negando peremptoriamente a agressão - conferem ao laudo de 17 anos atrás sua natureza. E iluminam seu aproveitamento não só político, mas criminoso pelo grupo da senadora Dorinha Seabra. A não ser que se deduza uma informação contra Vicentinho ser aproveitada por  Vicentinho. E que, portanto, viria dele o vazamento!!

A estratégia não é só criminosa. Hoje (ainda queimando o vazamento e os áudios das supostas vítimas negando-lhe veracidade) a campanha de Dorinha divulga que a senadora-candidata teria recebido representantes de um Centro de Defesa dos Direitos das Mulheres.

Movimento que reforçaria a estratégia (do laudo vazado) de colar em Vicentinho a imagem de contrário às mulheres. E que Dorinha teria recebido apoio. 

Como o recebera dos Peritos Oficiais no último dia 12 de outubro. Já no segundo turno.

A entidade (e a imensa maioria dos peritos) certamente não é praticante de crimes.

E outros servidores poderiam ter tido acesso ao laudo que, como se vê na cópia, fora arquivado. Mas a situação criminosa transborda a questão eleitoral.

Sugere que qualquer cidadão pode ser violentado em seus direitos por publicitarios ou servidores públicos inescrupulosos.

Seria apenas uma estratégia eleitoral imoral não fosse o crime que a impulsionou.

Se o secretário Luciano Barbosa tiver força e interesse na investigação, falta de elementos é o que mais abunda nesta história criminosa.

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