Segunda-feira, 25 de Mai de 2026

Relatório da PF protocolado em 23 de março último no STF conclui que "hipótese criminal" contra Thiago Barbosa em vazamentos não foi confirmada. Sobrinho do governador ficou preso quatro meses na CPPP sem crime algum!

25/05/2026 365 visualizações

A espetacularização das operações policiais (como essa da Santa Casa/Eduardo Siqueira) oferece mais uma vítima. Desta feita, nas Operações Sisamnes e Maximus.

Relatório protocolado no STF no dia 23 de março de 2026, pelo delegado federal Janderlyer Gomes de Lima, da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (a que o blog teve acesso), informa que o advogado Thiago Barbosa (sobrinho do governador) foi preso  no ano passado mais por bravata do que de ”uma realidade operacional plena”.

Thiago teve prisão solicitada pela PF e  decretada pelo ministro Cristiano Zanin (STF) em 13 de março de 2025 – PET 13546 (Inquérito 5022) fundada em acusações de vazamento de processo sigiloso. Na mesma operação, foi preso também o prefeito Eduardo Siqueira e sob igual acusação. Até o pai do advogado foi preso no bojo da operação.

Agora, um ano depois e após ter cumprido quatro meses na Casa de Prisão Provisória de Palmas (foi solto em 18 de maio de 2025), PGR não tem elementos para denunciá-lo nem STF para aceitar uma denúncia contra o sobrinho do governador.

O delegado da PF pede ao STF prorrogação de prazo no inquérito. Mas uma de suas conclusões são eloquentes, como é o caso do advogado Thiago Barbosa,  desta forma tratado no Relatório Parcial:

“A hipótese criminal de que Thiago Barbosa operava uma rede de monitoramento ininterrupta e detinha amplo acesso a dados sigilosos foi enfraquecida e relativizada pelos elementos de prova digital colhidos. Embora existam indicios de acesso a documentos especificos, a tese de um monitoramento "24 horas por dia" parece, sob a ótica investigativa atual, mais próxima de uma estratégia comercial ou "bravata" levada a cabo pelo investigado do que de uma realidade operacional plena."

Vai mais o delegado da PF ao STF:

“Em que pese a diminuta dialeticidade empregada na coleta de prova, as oitivas empreendidas e o cotejo das evidencias digitais deslocaram o centro gravitacional da investigação, até então focada em Thiago Barbosa, Jose Eduardo Siqueira Campos, no advogado Michelangelo e, de forma mais pontual, no analista da PGR Felipe Wagner”.

Ou seja, o centro do verdadeiro vazamento teria se deslocado para a própria Procuradoria Geral da República.

Relata também sobre a acusação que levou Thiago Barbosa a amargar quatro meses de cadeia:

“A despeito de ter afirmado em diálogo com o Desembargador Helvécio que tinha contato com uma equipe que monitorava o STJ, os metadados dos arquivos localizados em sua posse que dizem respeito as operações sigilosos revelam que só foram salvas em seu computador de trabalho em data posterior a deflagração das fases ostensivas e, especificamente no caso da Operações Maximus, efetivamente depois do Min. Noronha conceder vistas formais aos investigados e vários dos advogados habilitados.”

A polícia e autoridade judiciária fazem, na imensa maioria das vezes, seu papel constitucional sério, observando direitos e deveres, não só do Estado mas do cidadão.

São prejudicados por parcela que primeiro busca a foto para depois passar os olhos sobre os fatos. 

É, com louvores, o caso.

 

 

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