A espetacularização das operações policiais (como essa da Santa Casa/Eduardo Siqueira) oferece mais uma vítima. Desta feita, nas Operações Sisamnes e Maximus.
Relatório protocolado no STF no dia 23 de março de 2026, pelo delegado federal Janderlyer Gomes de Lima, da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (a que o blog teve acesso), informa que o advogado Thiago Barbosa (sobrinho do governador) foi preso no ano passado mais por bravata do que de ”uma realidade operacional plena”.
Thiago teve prisão solicitada pela PF e decretada pelo ministro Cristiano Zanin (STF) em 13 de março de 2025 – PET 13546 (Inquérito 5022) fundada em acusações de vazamento de processo sigiloso. Na mesma operação, foi preso também o prefeito Eduardo Siqueira e sob igual acusação. Até o pai do advogado foi preso no bojo da operação.
Agora, um ano depois e após ter cumprido quatro meses na Casa de Prisão Provisória de Palmas (foi solto em 18 de maio de 2025), PGR não tem elementos para denunciá-lo nem STF para aceitar uma denúncia contra o sobrinho do governador.
O delegado da PF pede ao STF prorrogação de prazo no inquérito. Mas uma de suas conclusões são eloquentes, como é o caso do advogado Thiago Barbosa, desta forma tratado no Relatório Parcial:
“A hipótese criminal de que Thiago Barbosa operava uma rede de monitoramento ininterrupta e detinha amplo acesso a dados sigilosos foi enfraquecida e relativizada pelos elementos de prova digital colhidos. Embora existam indicios de acesso a documentos especificos, a tese de um monitoramento "24 horas por dia" parece, sob a ótica investigativa atual, mais próxima de uma estratégia comercial ou "bravata" levada a cabo pelo investigado do que de uma realidade operacional plena."
Vai mais o delegado da PF ao STF:
“Em que pese a diminuta dialeticidade empregada na coleta de prova, as oitivas empreendidas e o cotejo das evidencias digitais deslocaram o centro gravitacional da investigação, até então focada em Thiago Barbosa, Jose Eduardo Siqueira Campos, no advogado Michelangelo e, de forma mais pontual, no analista da PGR Felipe Wagner”.
Ou seja, o centro do verdadeiro vazamento teria se deslocado para a própria Procuradoria Geral da República.
Relata também sobre a acusação que levou Thiago Barbosa a amargar quatro meses de cadeia:
“A despeito de ter afirmado em diálogo com o Desembargador Helvécio que tinha contato com uma equipe que monitorava o STJ, os metadados dos arquivos localizados em sua posse que dizem respeito as operações sigilosos revelam que só foram salvas em seu computador de trabalho em data posterior a deflagração das fases ostensivas e, especificamente no caso da Operações Maximus, efetivamente depois do Min. Noronha conceder vistas formais aos investigados e vários dos advogados habilitados.”
A polícia e autoridade judiciária fazem, na imensa maioria das vezes, seu papel constitucional sério, observando direitos e deveres, não só do Estado mas do cidadão.
São prejudicados por parcela que primeiro busca a foto para depois passar os olhos sobre os fatos.
É, com louvores, o caso.



