Depois do Sudeste, os governistas apostam no Sul neste domingo (cavalgada) para colar Wanderlei Barbosa (seu governo e popularidade) à senadora Dorinha Seabra.
É uma engenharia que tem prazo determinado para exaurir-se: 4 de julho. A partir daí, Dorinha não poderá participar de inaugurações e ao governo é vedado nomear, exonerar ou contratar.
Wanderlei tem popularidade na faixa dos 70%. Se não conseguiu transferir votos em 2024 (eleições municipais) a própria eleição de Dorinha (2022) atesta seu desempenho de transferência nas eleições estaduais.
O grupo governista tem recebido sinais que considera alentadores nos últimos dias: um movimento voluntário de prefeitos em favor da candidata do UB.
Esse movimento poderia suprir a lacuna das restrições eleitorais de agenda de Wanderlei com a Senadora.
Aconteceu no Sudeste e é esperada igual manifestação com prefeitos do Sul hoje em Gurupi.
No popular, os prefeitos da base do governo teriam decidido carregar Dorinha. Substituir Wanderlei (e o governo) na responsabilidade sobre o piano e o andor.
Não é uma boa notícia a Vicentinho Jr e Laurez Moreira. Os partidos aliados do governo comandam 74% dos municípios do Estado.
Somados, cerca de 70% dos 1,171 milhão de votos nominais (TRE/maio/26).
Pode haver deserções, claro, mas é número e movimento que não deveriam ser negligenciados. Voluntário, mais ainda, posto impulsionado pelos afetos.
É uma linha que, não interceptada, pode definir não só rumos. Mas a eleição. Uma mera equação matemática. Senão vejamos.
A pré-campanha exibe um campo de batalha com viés nítido: o confronto do uso das redes sociais com a política tradicional de mobilização.
Num Estado de eleitorado conservador, os influenciadores seriam os vaqueiros de votos. Deolane Bezerra que o diga no bem ou mal que realizam.
Não é por acaso que o primeiro preponderasse no marketing na pré-campanha de Vicentinho Jr e a segunda estratégia prevalecesse na de Dorinha.
Vicentinho Jr indiscutivelmente conduz a sua campanha. Dorinha é conduzida.
O primeiro destaca sua jovialidade com todos os arroubos da idade, veloz como a flecha de um comanche. A segunda movimenta-se mais prudente e devagar.
O candidato do PSDB (na primeira disputa majoritária) é, como notório, ainda refratário a determinadas sugestões (até do pai, ex-senador) que Dorinha (na segunda disputa majoritária) acata.
É mais assertivo e independente. A outra mais devagar e dependente.
Dorinha tem escolhido seguir Eduardo Gomes, Wanderlei Barbosa, Carlos Gaguim, Sandoval Cardoso ou Eduardo Siqueira, que tem a experiência de diversas majoritárias nos costados.
Apesar da reconhecida liderança nacional (preside uma das maiores e mais relevantes comissões do Senado) e relatoria de projetos nacionais no Congresso.
Uma posição que não é derivada de fragilidades políticas. Menos ainda de medo e submissão.
É um enquadramento sobre o qual deveriam ocupar-se seus adversários.
E não os likes de engajamento que buscam com a estratégia de campanha em curso.



