O senador Irajá Abreu e o vice-governador Laurez Moreira afinaram o discurso: a candidatura do PSD independe de Wanderlei renunciar ou não.
A convergência, apesar de expressar o óbvio, foi tomada por parte da classe política e da imprensa como anti-natural. Contrário senso: natural seria a dependência de Laurez e Irajá da renúncia. Ora, ora..
Um juízo que ignora a organização espontânea e a configuração particular de fenômenos e interesses. E são tantos bem públicos e indisfarçados até. Alguns reafirmados quase que em tempo real.
Wanderlei renunciar ou não é uma prerrogativa só dele. Assim como a escolha sobre os aliados que farão parte da chapa majoritária da sua sucessão.
Dar relevância à possibilidade (da renúncia ou não) para auto afirmar-se, ainda dela dizendo-se afastar, sugere intenções de alterar significante e significado.
Apontar, com efeito, seja de modo afirmativo ou negativo, o fator como determinante ou não, o denuncia como referencial capaz de alterar circunstâncias.
E aí o falso deslocamento impõe a conclusão necessária da existência de um excesso ou de uma falta. Que a declaração do partido necessitaria cobrir e encobrir.
De outro modo: a decisão do PSD não altera em nada, é possível deduzir, a autonomia de Wanderlei para decidir ir até o final do governo. Ou renunciar.
Contrário fosse, o PSD seria dependente do Governador ou vice-versa: o Governador condicionaria sua prerrogativa legal ao PSD.
De outro modo: as declarações só apenas palavras ao vento.
Ah, LA, e se ele renunciar? Laurez assume, ora. E vai à reeleição. Outros governadores disputaram o governo no cargo como Carlos Gaguim e Sandoval Cardoso. Sem êxito apesar da máquina nas mãos.
Ainda assim seria hipocrisia apontar que para Laurez não fosse melhor que Wanderlei renunciasse pretextando a possibilidade de dois mandatos ao candidato do PSD e não apenas um.
Apesar de não ter vencido a primeira. Como paradoxalmente expressaram as lideranças do PSD esta semana.