Domingo, 28 de Jun de 2026

Prodecer III não foi aquela Coca-Cola toda. Seu resultado, no entanto, está aí para certificar que há três décadas a política não implementa projetos estruturantes. Soja faturou R$ 9,6 bi em 2025 e pobreza mantém-se nos 23,9%

28/06/2026 128 visualizações

A senadora Dorinha Seabra (UB) – pré-candidata ao governo – recebeu ontem o embaixador do Japão no Brasil. E anotou a cooperação da Jica e Prodecer III no Tocantins.

É um projeto implantado no Estado há 30 anos (1.996) pelo ex-governador Siqueira Campos. Investimento japonês em assentamentos. Acompanhei o projeto desde sua implantação.

Pedro Afonso e Campos Lindos era uma região projetada por Siqueira Campos como um grande celeiro de alimentos. Distribuiu terras a empresários e cobrou produção.

As terras se valorizaram e muitos as comercializaram a terceiros. Um problemão na PF/MPF/JF. Nada a ver com os japoneses.

Mas afastaram os chineses com muita grana e em busca de oportunidades.

Siqueira tinha preferência pelos nisseis. Criou programas governamentais. Buscava trazê-los para investir no Estado.

O projeto, no entanto, não foi aquela Coca-Cola toda, mas implicou, ainda que não na medida buscada, na redução da concentração de renda na região de Pedro Afonso.

Era uma idéia interessante. Investimento japonês e terras (antes consideradas inservíveis e desvalorizadas) disponibilizadas pelo governo. Melhor do que a falta de projetos de hoje.

Se considerarmos os índices do IBGE, Pedro Afonso (no antigo corredor da miséria) saiu de 0,58 (91) no Gini para os atuais 0,44 . Quanto mais próximo de 1, mais desigualdade. O do Tocantins hoje é 0,47.

Aponto o projeto porque de Siqueira Campos até hoje não foi implementada qualquer ação que modifique a realidade de pobreza do Estado.

A campanha eleitoral está em pleno vapor e o modo se repete. Gasta-se discurso para combate político e não se apresenta projetos estruturantes.

Mas há outras anotações: estudo do professor de economia da UFTo, Waldecy Rodrigues, leva à conclusão que o Prodecer do Tocantins foi mais caro que outros programas iguais no país.

Os números sugerem dinheiro mal gasto, relação custo/benefício mal calculada ou desvio de grana mesmo.

Os custos médios por assentado foram bem mais elevados que  no Mato Grosso. Neste Estado, cada assentado custou R$ 464.285,00 contra os R$ 1.682.926,00 por lote, no Tocantins.

Conclui o professor: ou seja, um valor quase 100 vezes superior ao gasto para assentar uma família em programas de reforma agrária”. Óbvio está que esta diferença caiu em algum lugar.

O gasto contrasta com os resultados:  o valor bruto da produção de soja de Pedro Afonso saltou de R$ 635 mil (1.996) para R$ R$ 146 milhões (2024/Agrolink). Porto Nacional que não teve Prodecer produziu no mesmo ano R$ 375 milhões.

O valor da produção de soja no Tocantins em 2025 foi de R$ 9,65 bilhões. A taxa de pobreza no Estado é de 23,9% e outros 3,8% de extrema pobreza.

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