A 99 dias das eleições, Wanderlei e Dorinha deram mostras ontem em Araguaína do que pode ainda estar por vir na campanha.
Nos próximos dias será possível observar o grupo governista tentando amarrar prefeitos e a oposição fisgar eventuais trânsfugas. É o funil das convenções.
O calendário eleitoral favorece o governo. De janeiro a junho, Wanderlei transferiu a prefeitos o equivalente a R$ 866 milhões. Mais do que no mesmo período do ano passado.
E muito mais do que no governo Mauro Carlesse, seu antecessor. Em 2020, Carlesse mandou aos prefeitos 8,87% das receitas consolidadas.
No ano passado, Wanderlei Barbosa lhes encaminhou o dobro: 15,5% das receitas consolidadas. O eleitor, no entanto, tem a palavra.
No último ano de governo, não só por isto, Wanderlei registrou na semana passada 66,8% (Paraná Pesquisas) de aprovação.
Há quatro anos (setembro/2022/IPEC) tinha aprovação de apenas 42%.
Quando o natural é a aprovação cair com o passar dos anos pela oferta e demanda. Desgastes naturais.
Mas que com Wanderlei se deu o contrário (apesar ainda do afastamento) e não há consequência sem causa que a determine.
Elegeu Dorinha Seabra em 2022 que vinha de reeleições a deputada federal dentre as menores votações, erguendo-a ao Senado com 50,42% dos votos.
Dorinha que saíra de uma eleição para deputada federal (2018) com meros 6,71%. A sexta de oito eleitos.
No Senado, por exemplo, este ano aquele que decidiu entrar na campanha nos últimos dias, não terá prazo para ganhar volume.
A aceitação da candidatura de Eduardo Gomes pela reeleição restringe, na prática, a disputa a uma vaga: a segunda.
Gomes (Paraná Pesquisas da semana passada) tem 30% (primeiro voto) e 19% (segundo voto). Foi eleito em 2018 com 19,48% (o mais votado).
Araguaína – com 124 mil eleitores/TRE/1º junho e onde Wanderlei e Dorinha estiveram ontem - é o segundo maior colégio eleitoral do Estado.
O prefeito é do UB (de Dorinha) que foi reeleito com 78,38% dos votos.
Ali, Wanderlei teve 41,88% dos votos para governador. Ronaldo Dimas (ex-prefeito) obteve 46,59%. Em 2026 estão, ambos, com Dorinha.
Como a base governista conta, no momento, com mais de 70% dos prefeitos, a oposição terá que continuar apostando na retórica.
Para reverter a tendência de Palmas, Araguaína, Gurupi, Paraiso e Porto Nacional (para ficar só nestas) cujos prefeitos defendem a candidatura do governo.
O problema é que não apresentou ainda um plano definido e claro do que pretende fazer para “mudar as coisas que estão aí”.
Anda, por enquanto, espalhando apenas fumaça.




