O governo tem muitos equívocos (aponto alguns deles aqui diariamente) mas tem acertos. A confirmação da assinatura dos empréstimos com a Caixa para a próxima semana e dentre eles o de R$ 130 milhões para a ponte sobre o rio Tocantins em Porto Nacional confirma a vontade política do Palácio para a solução do problema colocado há quase uma década e que passou por três governos.
Um quarto dos 41 anos da obra do ex-governador goiano biônico Irapuan Costa Junior, redenção da região, quando construída, por ligar o corredor da miséria a BR-153, conexão com o restante do país. Agora tem a soja, a carne para exportação, o minério e também a Ferrovia Norte-Sul do outro lado a meio caminho dos portos e dos mercados nacionais internacionais.
Desde 2011 os governos negligenciam a infraestrutura da ponte velha e informam a construção de uma nova. Siqueira Campos (historicamente refratário à população e à história da cidade) fez uma licitação sem orçamento e financeiro que, como lógico, carregava uma embromação dadas as exigências legais. De outro modo: sem futuro algum. Ou apostava no dedo divino sobre a legislação.
O senador Vicentinho Alves até colocou emendas no Orçamento Geral da União que não eram aprovadas. Seja por falta de gestão da bancada ou interesse do governo Siqueira Campos. Siqueira, indubitavelmente, mandava nas bancadas ao seu modo, seus governos foram sempre hegemônicos. Só saía o que ele tinha vontade que saísse. Para fora, demonstrava um interesse que não impulsionava do lado de dentro.
Siqueira, entretanto, sequer as reproduzia no Orçamento Geral do Estado. Mas licitou a obra. Siqueira sabia dos problemas políticos e jurídicos que teria com a Rivoli (que captou os empréstimos e venceu a licitação) para internar no Estado os dólares do UniCredit italiano. Enquanto a ponte velha caía.
Marcelo Miranda deu sequência à pantomima: licitação feita (por Siqueira) elevou o valor da obra em R$ 20 milhões. Passou de R$ 101 milhões para R$ 121 milhões, autorizado pelos deputados a contrair financiamento no mesmo banco italiano (o primeiro empréstimo caíra) que havia prometido a grana à empresa vencedora no governo Siqueira.
Mais: sem quaisquer condições, Marcelo assinou ordem de serviço!!! Sem orçamento e financeiro!!!! De dez quadrimestres que governou, Marcelo só ficou enquadrado em um: 3º quadrimestre de 2017. Pegou com 50,93% de Sandoval Cardoso e entregou a Mauro Carlesse um governo gastando 58,22% das receitas com salários.
Orçamentariamente tanto Siqueira quanto Marcelo embromaram a cidade. Siqueira porque não destinava orçamento e nem financeiro. As intenções monetárias não saíam do corredor da Praça dos Girassóis entre o Palácio do governo e o Legislativo.
E Marcelo não destinava orçamento nem enquadrava o governo na Lei de Responsabilidade Fiscal, condição imprescindível para empréstimos (exigida pela Secretaria do Tesouro Nacional) que sanassem a indisponibilidade financeira. Mas ambos apareciam na fita em anos eleitorais em cerca de dez anos!!!
Mauro Carlesse, em um ano e meio de governo, mesmo só tendo o próprio orçamento este ano, captou o empréstimo com a Caixa, enfrentou os vícios da licitação, enquadrou as contas do governo na Lei de Responsabilidade Fiscal (condição do empréstimo), retroagindo gastos com salários a 47,67% (contra o máximo de 49%)iniciou a obra com recursos próprios (destinados à contrapartida) e na próxima semana assina o contrato de R$ 130 milhões com a obra em andamento.
E, ao que parece, retroagiu naqueles atritos com a cidade e o prefeito por ocasião da interdição da ponte velha, uma intervenção direta no município que, tudo indica, do ponto de vista político, será superada com a viabilização da ponte nova.
Apenas vontade política e gestão para materializá-la. E isto não é uma questão de opinião. E sim de registro.


