O governo pode ter ganho um refresco com a negociação de parcelamento dos débitos com os hospitais privados de atendimentos a usuários do plano de saúde dos servidores públicos. Um refresco provisório.
A aceitação da proposta de pagar num prazo de 30 dias faturas de quatro meses (entre 5 de novembro e 5 de dezembro) e quitar em dez vezes as duplicatas de outros três, indica que o entrave não se prendia tão somente à inexistência de recursos financeiros.
É uma solução contingencial que despreza o necessário. A questão do plano de saúde está inserida em contexto mais abrangente impulsionadora de resistências do conjunto da população pelo que dela retira e não a devolve. Daí os servidores ficarem na moita na briga governo e hospitais.
Ela é indiscutível na paridade da contribuição que mantém o Plano, com o servidor bancando 50,03% e o contribuinte sendo responsável por 49,97%. Isto gera um fundo com valores aproximados paritários de R$ 12 milhões mensais para o governo e funcionários que aderiram ao plano, totalizando R$ 24 milhões ao mês de receitas.
O plano, se é benéfico para os servidores se mostra extremamente prejudicial e injusto com o restante da população. Ocorre que para além deste universo de 81 mil usuários do plano de saúde do servidor público (bancado meio a meio entre empregado e governo) há outras 1 milhão e 300 mil pessoas que dependem justamente dos recursos públicos cuja parte é direcionada ao plano privado dos servidores.
Isto porque somando Plan-Saúde aos demais planos privados no Estado, tem-se 190 mil pessoas cobertas, contra uma população de 1 milhão e 572 mil habitantes, das quais 83% a descoberto ou dependente de verbas no sistema único de saúde que financia o plano.
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