Há uma paralisação anunciada para hoje do atendimento dos usuários do Plan-Saúde nos hospitais particulares do Estado. A disposição exposta ontem para apresentação de propostas e sua avaliação de ambos os lados sugere que a ameaça de bloqueio (publicitada há cinco dias) fosse mero expediente de pressão por uma intenção de negociação.
E que, de fato, já existia dado que o governo havia proposto publicamente também o interesse há menos de dois meses quando, conforme o Palácio Araguaia, a dívida seria de R$ 92 milhões. Hoje seria de R$ 95 milhões conforme os hospitais.
Há duas questões aí: a primeira é o não pagamento e a outra o pagamento. O governo (ao contrário do que se deduz no senso comum) não alega falta de recursos para pagamento, o que certo modo elimina a relação com os não repasses das contribuições. O governo argumenta que quer auditar os valores das faturas dos hospitais.
E aí a segunda questão: é razoável supor que o usuário do Plan-Saúde não faça conferência do que consumiu no hospital. Quantidade de exames, medicamentos, insumos, toalhas, papel higiênico ou esparadrapo. Nem as refeições e lanches.
A pessoa entra no hospital em atendimento de urgência, passa a ser internado de emergência. E não é de conferir aquela papelada que assina para cobrança do plano. Até porque sua situação não o permite. Tanto o médico como o hospital sempre poderão dizer que era necessário no seu tratamento e que todo aquele material foi utilizado. E médico é médico. E o plano para muitos é um banco sem fundo.
No mês de maio deste ano, só estes atendimento de emergência, internações de emergência somadas as internações eletivas, consumiram R$ 9 milhões. Ou 47% de todas as despesas do mês. As consultas ficaram em R$ 5 milhões. São grandezas relevantes.
Há uma média de 264 mil consultas/ano. Significa dizer que cada um dos 80 mil usuários vai três vezes ao médico a cada doze meses. Os exames são uma média de 1,2 milhão por ano. Ou 15 exames para cada um dos usuários do Plan-Saúde anualmente.
São números que precisam, sim, ser acompanhados. Até porque o próprio usuário é que paga o excesso na co-participação. É uma equação que interessa ao governo, servidores e dependentes e ao próprio hospital. A maioria, como é notório, tem nos usuários do Plan-Saúde sua maior fonte de renda. Só que há fundadas suspeitas de que estariam passando o rodo no bolso do usuário e do governo.


