Quarta-feira, 2 de Set de 2026

Pedido de nulidade da PGR pode livrar Moraes da ação, mas não do objeto da suspeita. Meu artigo desta quarta no NC News

Vícios processuais no relatório da PF sobre o ministro e Daniel Vorcaro reabrem debate sobre impeachment e sobre o sigilo das investigações que envolvem Flávio Bolsonaro
02/09/2026 49 visualizações

O pedido de nulidade da PGR do relatório da PF sobre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, por vícios processuais, pode livrar o sujeito da ação, mas não do objeto em que ele teria sujado as mãos.

E isso empurra o ministro, comprovadas as evidências, inapelavelmente a ser enquadrado, com tipificações criminais tais, no crime de responsabilidade em pelo menos três artigos da Lei 1079/50.

Um processo que dependeria da provocação do Senado da República, que exigiria a aprovação de dois terços dos senadores para a condenação. Dentro do devido processo legal. O impeachment que setores da direita tanto cobram, mas desligados da forma.

A caixa de Pandora das relações com Flávio Bolsonaro

Caberia, no entanto, por similitude, ao mesmo ministro André Mendonça, que retirou o sigilo das investigações, abrir também ao distinto público a caixa de pandora das relações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso na Papudinha.

De todo modo, a discricionariedade no sigilo e na condução dos inquéritos não reduz a escala, o grau de imoralidade e a ilegalidade dos indícios de envolvimento de Moraes. Uma carga institucional indizível ao sistema de freios e contrapesos de Montesquieu que sustenta a democracia brasileira de pé.

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Por que Moraes não deve se afastar

Moraes não vai se declarar suspeito nem pedir afastamento. Poderia — deve raciocinar — beneficiar seus acusadores e facilitar sua condenação. Uma tese política concernente a um magistrado que também já exerceu cargos políticos antes de vestir a toga.

Mas já é, para a população, um arremedo de ministro da mais alta Corte do país. Culpado ou inocente é só mais um detalhe.

A discussão que deveria estar em pauta

Se o país fosse sério, os ministros do STF não estariam discutindo competências. E sim a denúncia. O que está em jogo não é apenas singularidades processuais.

E sim a falta de transparência e a indisfarçável leniência do STF no cumprimento de suas obrigações constitucionais. Sua função primordial.

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