Sábado, 24 de Out de 2026

O governo e suas "contingências necessárias": libera, em caráter de emergência, cobrança da travessia na balsa fazendo da própria balsa uma situação de imergência. Não há ponte à vista nesta narrrativa

luizarmandocosta 01/03/2019 1665 visualizações

O governo decidiu liberar de cobrança a travessia na balsa de Porto Nacional. Veículos de passeio, camionetes, motos, bicicletas e pedestres. Não sem uma espécie de aviso: caráter emergencial. Intui-se, portanto, que, passada a emergência, os preços voltassem a ser cobrados.

Disto se conclui que a balsa não fosse algo apenas emergencial mas permanente dado que a situação de emergência fosse reafirmada agora pelo governo apenas no preço a partir da manifestação da população por sua cobrança. E não por seu uso. Mera questão de léxico gramatical e exercício de lógica em desuso por muitos por aí.

Evidente que como a situação das balsas decorre de uma declaração de emergência oficializada pelo próprio governo, a não cobrança, nestes termos, já seria uma prerrogativa desde a publicação do decreto da intervenção no município.

Levando a concessão, agora, à afirmação de uma enganação embusteira: uma concessão de um governo justo às reivindicações também justas da população quando, pelo decreto, já seria uma obrigação governamental. Até porque o empresário não vai fazer o serviço de graça (sem licitação) e a grana não é do governo e sim do contribuinte prejudicado pela omissão pública.

Porto recolhe ao governo algo próximo de R$ 150 milhões de ICMS todos os anos. Mais que o valor de uma ponte nova. Ou: uma reforma da ponte velha com a arrecadação de um mês. Só este ano (janeiro e fevereiro) a população, comércio e indústria portuenses já depositaram de ICMS no tesouro estadual o equivalente a R$ 26 milhões (R$ 13,7 milhões/janeiro e R$12,6 milhões/fevereiro)

A reação do governo tenta diminuir o grau de irresponsabilidade da administração. Não só deste governo, mas com participação também dele nos onze meses em que Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa despacham do Palácio Araguaia. Ambos sabedores, há anos, como deputados, da situação da ponte, sem qualquer medida ou cobrança de contenção.

E ela se dá no dia exato em que vem a público o pedido de demissão em massa de médicos do pronto-socorro no hospital regional da cidade que atende cerca de 15 municípios da região. Motivos: salários e falta de condições, medicamentos e insumos.

Suscitando que o governo viesse a público, na sua linguagem de telefonista, desinformar que, apesar da falta de médicos, "estará" fazendo todos os esforços para manter a unidade de saúde funcionando com profissionais e insumos necessários".

Isto depois de ter sido informado, há um mês, pelos próprios médicos, que cumpririam em fevereiro o aviso prévio determinado pela legislação trabalhista. Ou seja: não agiu e agora tem-se ali outra situação de emergência como também outra oportunidade política.

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