As movimentações do governador Mauro Carlesse ontem e hoje nos Ministérios em Brasília (DF) sem o acompanhamento de deputados federais ou senadores aponta, a priori, para pelo menos duas opções:1) o Governador não queira ligar-se diretamente a algum parlamentar (a nova bancada assume na próxima semana e 2) os parlamentares não observassem, do ponto de vista político, ativos em deixar suas férias para andar com o Governador no governo federal.
Se o Governador anda sozinho em Brasília por vontade política própria, os parlamentares federais não estariam providos de prestígio junto ao Chefe do Executivo estadual.
E aí duas questões: governadores são atendidos pela administração federal na medida do apoio parlamentar que possuem e dos votos que podem entregar ao Palácio do Planalto no governo federal.
Por outro lado: deputados e senadores não votarão matérias de interesse dos Executivos estaduais e federal sem demonstração pública de que seriam prestigiados. É a argamassa de seus mandatos. São os parlamentares que colocam emendas e cavoucam a liberação de recursos orçamentários e extra-orçamentários da União.
No Tocantins, é razoável supor que qualquer parlamentar (que está saindo, entrando ou reeleito) teria no acompanhamento de audiências nos Ministérios matéria prima para suas campanhas. Poderiam transmitir, além de prestígio com o Governador e no governo federal, que os recursos e as obras, caso viabilizados, tiveram sua contribuição.
Pode até ser que não seja uma finalidade. Mas o recado direto da ação como concebida e realizada, sem outras explicações, é de que o Governador, ainda que involuntariamente, estaria dizendo que está só. Ou que prefere ele, próprio, sozinho, buscar recursos em Brasília. Sem a intermediação dos parlamentares. Não é, certamente, a melhor estratégia.


