O Estado já tem dois candidatos declarados ao governo: Ronaldo Dimas e Laurez Moreira. Prefeitos da 2ª e 3ª maiores cidades (2º e 3º maiores colégios eleitorais). Ambos fazem trabalho reconhecido como competente em seus municípios. Mudaram para melhor a vida de seus moradores e é natural, portanto, que aspirem governar do Palácio Araguaia. No caso de Laurez que acompanho mais de perto (passo pela cidade pelo menos uma vez ao mês) tenho registrado aqui, há anos, os avanços.
Diferenciam-se, Laurez e Dimas, na forma (e prática) como pretendem justificar e viabilizar seus fins. Dimas é, por natureza, mais estrategista, pontua deixando margem a recuos e avanços. Já Laurez esta semana (como lhes atribui o Portal Atitude, reproduzindo entrevista do prefeito ao programa Tribuna do Povo/ rádio Nova FM), antes inclusivo, decidiu romper com a prudência que sempre lhe foi peculiar.
Laurez não só declarou-se candidato, como teria batido o tambor: "quem quiser ser governador, vai ter que ganhar de mim". Antecipar idealmente o resultado efetivo, se possibilita ajustar atos a elementos de uma equação regida pelo fim, com três anos de antecedência é uma temeridade em política. Ainda mais quando exclusiva e não inclusiva
A retórica determinista de Laurez era até mesmo desnecessária já que o ganhador das eleições terá que superar, pela lógica numérica e eleitoral, todos os demais candidatos. Não só ele. O que leva à conclusão que ter-se-á necessariamente que ganhar dele e não porque ele assim o demonstrasse na sua proposição.
Uma falácia que pode operar-lhe resultado adverso: perspegar no prefeito a pecha da arrogância que, como é notório, faz unir no polo contrário os que dele discordassem no modo ainda que o enxergassem competente.
A prefiguração do resultado, na forma empreendida, sujeita Laurez a armadilhas previsíveis na transformação de uma disputa paroquial em estadual. Imputa ao adversário (Mauro Carlesse, que não pode mais disputar o governo) problemas da cidade como a recente crise na transformação da Unirg em Universidade e a implantação do curso de medicina em Paraíso ou o não término do HRG (com verbas de emendas da senadora Kátia Abreu)
Ora, como é notório, o Decreto 9235/2017 (do governo federal) condiciona a mudança de IES para Universidade às notas de avaliação do MEC. Na última, a Unirg foi considerada uma das 27 faculdades reprovadas no país. Obteve nota 2 de uma escala de 0 a 5. Pelo Decreto, só poderia virar universidade (e expandir o curso de medicina) com notas acima de 4. E ainda tem o Conselho Estadual de Educação que é, legalmente, autônomo.
Sobre HRG, como está no Portal das Transparências, o governo tem tocado as obras, aplicado a contrapartida e já estaria com 65% concluídos. Obras que ficaram praticamente paradas durante os governos de Siqueira, Sandoval e Marcelo (há quase dez anos). Carlesse é governador há menos de dois anos e Laurez é prefeito há sete anos. No empréstimo da Caixa, estão previstos R$ 60 milhões para obras do trevo da praia.
Armadilhas tão previsíveis como evitáveis e que podem comprometer seu discurso E em assim sendo, influenciar na alteração da prefiguração do resultado ideado que Laurez, legitima e merecidamente, objetiva.


