Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Governo exonera do cargo de diretor de combate à corrupção delegado investigado que, por óbvio, a prudência indicaria não devesse tê-lo nomeado

luizarmandocosta 05/11/2019 758 visualizações

O governo exonerou ontem (portaria publicada ainda ontem no Diário Oficial) o delegado Evaldo Oliveira Gomes das funções de Diretor de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado. A portaria da Casa Civil (nº 221) é de 4 de novembro de 2019.

A demissão, como resta evidente, é mais política do que técnica. O delegado é investigado por acusações de corrupção passiva e já havia respondido na Corregedoria. Ele se defende e, conforme outros delegados, é um profissional sério.

O problema é que, politicamente, não cairia bem ao governo ter numa delegacia de combate à corrupção, um funcionário com tais questões envolvidas.

Justamente uma diretoria criada, a partir de determinação do ministro Sérgio Moro, da Justiça, para instrumentalizar o repasse de recursos para o combate à corrupção.

O governo nomeou Evaldo em julho e o Ministério da Justiça o orientou à criação da divisão no mês de março. Muito antes. Evaldo responde sobre fatos de 2005 (há uma ação penal) o que sugeriria mais prudência ao governo na nomeação, ainda que se acredite na inocência do profissional e que tenha sido paciente de denúncias caluniosas.

Como Evaldo tinha conhecimento da investigação, ambos, o delegado e o governo, apostaram no imponderável que seria uma não avaliação política, pelo Ministério da Justiça e instituições estaduais (tanto políticas como judiciárias), sobre a questão. E aí sobrou para o lado mais fraco, o delegado, algo perfeitamente evitável.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano