Sábado, 24 de Out de 2026

Governo anuncia reabertura da ponte em uma semana. Apesar da boa vontade, técnicos que fizeram inspeção simples para CREA apontam reforma como "assustadora"

luizarmandocosta 08/06/2019 1132 visualizações

O governador Mauro Carlesse vistoriou ontem a "reforma" da ponte sobre o rio Tocantins em Porto Nacional. Mais uma vez sem o prefeito Joaquim Maia. Tem a seu favor o fato da ponte situar-se numa rodovia estadual e o governador, não há como deixar de reconhecer, não está parado: busca o empréstimo de R$ 130 milhões para construir a ponte nova.

Pode-se criticar a forma da intervenção e interdição, mas não a sua necessidade ou apontar no governador vícios de omissão. E o empréstimo pode mesmo sair com o programa FEF  anunciado pelo governo federal para os Estados com problemas com avais da União.

E em desfavor a forma de tratamento político que concede,  de forma transversal, a uma obra resultado de luta histórica (também política) da cidade nela plasmada. Goste-se, ou não, a cidade é representada pelo seu prefeito e vereadores e Carlesse, também queira ou não, é o governador de todos. E a ponte, para os portuenses, não é apenas uma rodovia ou prolongamento da cidade. É a própria cidade.

Jogo jogado. Ocupo-me do que está por vir: engenheiros que fizeram uma inspeção simples e apenas visual para o CREA há cerca de quinze dias, conforme apurou este blog na noite de ontem, diziam-se preocupados com a reforma que está sendo realizada na ponte e cuja reabertura é prometida pelo governo para daqui a uma semana (até dia 14, projeta a Secretaria de Infraestrutura). A interdição da ponte completou quatro meses ontem (120 dias).

Conforme um dos engenheiros que fizeram a vistoria as obras estão sendo realizadas sem acompanhamento de engenheiros e sem projeto ou plano.Os operários teriam informado aos técnicos do CREA que a obra estava sendo tocada pela Construserv sem licitação ou contrato.  Licitação e contrato, evidentemente,poderiam se enquadrados no decreto de emergência do governo (Porto Nacional e região) e até mesmo na inexistência de Lei  Orçamentária quando iniciada.

Os problemas técnicos, evidentemente que não, contrariando a própria preocupação demonstrada pelo governo quando da interdição. Segundo os técnicos do CREA, os guarda-rodas e guarda-corpo (proteções), apesar de estarem com armaduras expostas e corroídas, eram cobertas com massa pelos operários, encobrindo o problema e sem qualquer tratamento ou preocupação..

Outra questão apontada é que os operários na recuperação do pavimento de concreto, recortavam-no de maneira aleatória. "Não sei se chegaram até a laje", relata o técnico."A piãozada é que fazia, eles olhavam, achavam onde estava oco, solto e saía recortando", relata o engenheiro. "Ao recortá-lo, eles arrancavam a armadura junto e na hora de recompor jogava só concreto. É uma maquiagem assustadora", relata.

Conviria,portanto, ao Governador confiar desconfiando do cumprimento, por seus subordinados, do princípio que apontou na interdição da ponte: segurança ao usuário. Algo que, conforme os técnicos do CREA, não estariam sendo seguidos.

 

Situação que pode até mesmo trazer maiores problemas ao Executivo. Isto porque se o CREA apontar oficialmente as deficiências técnicas da obra de reparo e possíveis alteração que ela possa, com intervenções inadequadas , provocar na estrutura da ponte (uma obrigação do Conselho que já seria suficiente até para interditar a obra) não é improvável nova ação do Ministério Público contra o Palácio Araguaia, observado o objeto (um prato cheio, confirmadas as inconsistências) e o ânimo de promotores e juízes de primeira instância em relação ao governo.

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