A propaganda do governo circula, com justos motivos, nesta segunda, a melhora do Estado no ranking de competitividade. Ainda que pouco diga respeito a ação de Mauro Carlesse (a apenas cinco meses no governo) não há como negar que tenha dele alguma participação. Mas os números não indicam contas enxutas.
O governo do Estado já empenhou até hoje despesas no valor de R$ 6 bilhões e 300 milhões. Como só entraram nos cofres públicos R$ 5 bilhões e 700 milhões, já existiria um resultado primário negativo (déficit) de R$ 600 milhões.
Pior: destes R$ 6,3 bilhões, o valor de R$ 4,1 bilhões foi empenhado com salários de servidores.
Se consideramos que, de hoje a dezembro, o governo terá que pagar quatro folhas de salários (sem contar o 13° dos aniversariantes do mês) e tendo em conta o gasto mensal com a folha (R$ 460 milhões em agosto), o governo ainda terá desembolsar, por baixo, mais 1,8 bilhão com salários.
O problema é que a lei orçamentária só prevê R$ 5,5 bilhões de gastos com funcionalismo em 2018. E essa projeção de gastos eleva-se a R$ 5,9 bilhões. Ou seja: faltará orçamento para R$ 400 milhões do pagamento dos salários.
Como não pode pagar sem orçamento tem pelo menos duas opções: pagar de ofício (crime de responsabilidade) – expediente usado por governos anteriores de forma recorrente - ou atrasar os salários.


