Há dificuldades, tudo indica, no Palácio para a compreensão dos papéis de Executivo e Legislativo.
O governo ocupou-se ontem em esvaziar, mais uma vez, a sessão que apreciaria o veto à gratificação de R$ 1,5 mil aprovada pela unanimidade da Casa.
Ora, se o governo tem a maioria, racional seria que garantisse o quórum para a apreciação e manutenção do veto.
E não orientar sua maioria a não proporcionar quórum suficiente à sua aprovação. Ou derrubada.
De forma que os parlamentares seguissem o comando. Seja para derrubá-lo ou abster-se.
Ou seja, o governo teria quórum para fazer valer a vontade do governo no veto, mas orientaria sua base à abstenção na votação do veto.
A indefinição de rumo sugere despotismo: palavra de rei.
Dedo polegar para cima ou para baixo como faziam os Césares no Coliseu.
E os deputados seguindo de olhos vendados o comando. Apesar de terem sido eleitos para vocalizar o eleitor, e não o governo.
No popular, Wanderlei Barbosa que fazer valer sua vontade pessoal sobre o Legislativo.
Não parece ser mais uma relação entre poderes.
O resultado foram as vaias aos parlamentares ontem a três meses de suas reeleições.
Como a votação do veto é secreta, a falta de escrúpulos com o regimento e a Constituição pode perdurar, proporcional ao receio de traições em final de governo.
E o Legislativo continuará travado, com pauta trancada por idiossincrasias governamentais.


