O senador Eduardo Gomes foi oficialmente indicado líder do governo no Congresso. É uma faca de "dois legumes" para o parlamentar e pouco influenciará em favor do Estado.
Primeiro porque Eduardo Gomes ganha o cargo da deputada Joice Hasselmann que teria ido contra a guerra que o Presidente declarou em desfavor do PSL, para implodi-lo, na tentativa de assumir o partido impondo o filho, Eduardo Bolsonaro, presidente.
Ora, se Bolsonaro tem esse ímpeto com os próprios aliados e que concederam-lhe legenda, dando instrumento à sua candidatura, não é difícil imaginar o que poderá fazer com um parlamentar de um Estado com 0,7% da população do país.
Gomes foi eleito senador pelo Solidariedade que trocou pelo MDB. O partido teve oposição a Bolsonaro (Henrique Meireles no 1º turno) e o Estado em sua maioria não quis saber de candidato do PSL.
A força que teria seria a do próprio Bolsonaro e do cargo. A reação do Presidente e as derrotas enfrentadas esta semana dizem bem do que espera pelo Senador tocantinense.
Haddad venceu em 111 dos 139 colégios eleitorais do Estado. Ou: 51,02% a 48,98% dos votos válidos. Obviamente não esquecidos por Bolsonaro que já demonstrou ser raivoso contra adversidades e refratário quanto às mais comezinhas regras democráticas e de civilidade,
Eduardo Gomes ficou quatro anos em mandato no que é possível deduzir não tenha, agora, a mesma desenvoltura em uma nova legislatura e com novos parlamentares, apesar de considerado um político habilidoso.
Regionalmente, não tem ascendência sobre os demais senadores (Kátia Abreu/ex-ministra e Irajá Abreu, ex-deputado federal) tampouco com os parlamentares na Câmara onde a maioria prefere seguir diretamente a orientação do governador Mauro Carlesse, aliado próximo do próprio líder da bancada, Carlos Gaguim.
O cargo, ademais, expõe o Senador do Tocantins a escrutínio mais amiúde dos veículos de comunicação nacionais, empurrando-o para dentro do caldeirão em que se encontra o PSL, Sérgio Moro e os Bolsonaro. Um cargo que, se fizessem uso do bom senso, parlamentares não aceitariam dadas as evidências presidenciais.
E aí disto não escaparão as estrepolias do Bar do Alemão com Celso Russomano, as ilações do Igeprev e a escolha para suplente do multimilionário Ogari Pacheco (patrimônio declarado de R$ 407 milhões), que não mora no Estado e desconhecido da maioria do eleitor, responsável por 87% das doações da campanha do Senador eleito.
Os executivos do seu grupo farmacêutico doaram R$ 2,1 milhões para a campanha de Gomes. Só Ogari ali depositou R$1,5 milhão e já deu declarações que, ainda que seja suplente, terá um gabinete dentro do gabinete do senador eleito. Ou seja, é segundo suplente com regalias de titular.
Pode não ser, como se nota, o cargo um bom expediente para um Senador muito bem votado e disposto a disputar o governo do Estado daqui a três anos.


