O ambiente no grupo palaciano não é propício a uma composição sem restos a pagar, como sugere a foto de segunda-feira no Palácio do governo.
Ruim para o grupo político, pior para o contribuinte.
E, convenhamos, parte dessa dívida deve ser debitada na conta da estratégia do governador que deveria exercer o papel de pêndulo.
Só que Wanderlei tem oscilado sem observar atentamente as condições de tração e gravidade.
Nem as próprias oscilações que explicita e que ao invés de empuxo, leva arrasto ao grupo.
É o bônus da liberdade democrática e da aprovação popular. Mas o acompanha, como força contrária, o ônus político das decisões.
O resultado é a desorganização e insegurança geral quando se deveria estar organizando nominatas.
Há lideranças perdendo colégios eleitorais numa disputa tão kamicase quanto parasitária.
As declarações públicas ressentidas atribuídas a Amélio Cayres (presidente do Legislativo) na segunda sobre Dorinha Seabra (UB) são apenas sintomas.
A causa não residiria em Dorinha, Eduardo Gomes, Carlos Gaguim ou no próprio Amélio que até aqui tem exercido suas funções de postulantes. Cada um a seu modo.
Mas na indefinição colocada (voluntária ou involuntariamente) por Wanderlei se irão formar, as duas correntes, um grupo político homogêneo ou disputariam, antes de superadas as urnas, o protagonismo a partir de 2027.
E que, como é óbvio, será daquele eleito pelas urnas. Do contrário, será contrariar a vontade popular na representação.
O antagonismo exposto entre Amélio Cayres (Republicanos) a Dorinha Seabra (UB), assim, desmorona, certo modo, a engenharia política pacificadora que é feita pelo senador Eduardo Gomes (PL).
Amelio era, até o afastamento do governador, o candidato do Palácio ao governo.
Não haveria, portanto, homogeneidade ainda que a heterogenia fosse prejudicial ao grupo nas atuais circunstâncias.
Amélio não se opôs apenas ao modo político da Senadora ou a seu projeto partidário para o Estado. Mas a questões e convicções pessoais que são de mais difícil superação.
Foram declarações concedidas após reunião com Prefeitos no Palácio e um final de semana visitando cidades com o governador.
Não só no horizonte, mas no azimute, deve conduzir a agenda política de hoje, tudo indica confrontados os fatores da equação, o projeto político de Wanderlei Barbosa fora do cargo e Amélio sem mandato.
A questão é que as consequências não vem antes. Especialmente numa disputa em que o governo não é apenas uma solução, mas pode ser parte do problema.

