Cotejando os números apresentados pelo secretário da Administração, Edson Cabral, aos deputados nesta terça (Comissão de Administração, Trabalho e Defesa do Consumidor) é possível deduzir que os problemas do Plan-Saúde dizem respeito mais à decisão do governo de mantê-lo da forma como está do que de supostamente tentar inviabilizá-lo com os recorrentes atrasos de pagamentos a fornecedores.
E aí o governo teria direito a uma espécie de compaixão do servidor público associado porque as dificuldades que enfrenta e a redistribui aos usuários seriam diretamente proporcionais à incapacidade financeira de mantê-lo. E inversamente proporcionais às finanças estaduais. Daí, as críticas dos sindicalistas (os mais antenados com economia política) navegarem, não raro, na maionese. Ou seja, se está ruim, pode ficar pior.
Não é plausível, nas atuais circunstâncias, que o governo seja responsável por 50% da contrapartida do Plan-Saúde (como revelado hoje) enquanto Estados como a Bahia fazem aportes de apenas 4% e Piauí zero por cento. Ou seja, para os atuais 91 mil usuários do Plan-Saúde o governo estaria bancando metade da contribuição para funcionamento do plano.
De outro modo: dos R$ 19,7 milhões de despesas do Plan-Saúde em maío último (dados demonstrados nesta terça), o equivalente a R$ 9,8 milhões seriam pagos pelo contribuinte. Aquele que não tem plano de saúde e que busca a rede pública onde algo próximo de 90% do orçamento é destinado ao pagamento de salários. Dos servidores com plano.
Pelo que apresentou nesta quarta, o governo tem tentado equalizar essa situação. Aumentou o número de usuários (que eleva o orçamento do plano mas também eleva os gastos do governo com contribuição) e conseguiu, com a nova administradora, praticar preços abaixo do mercado, como apresentado pelo Secretário.
Mas persiste a encruzilhada: governo, deputados e servidores (e contribuinte) terão que fazer uma conta de chegada e alterar a paridade na contribuição. Uma decisão que exige vontade política e enfrentamento de desgastes. Os servidores não podem ficar sem o plano, mas a população não pode bancar uma casta de privilegiados, de forma tão desproporcional e injusta como aponta a régua até agora utilizada.


