É absurdamente inoportuna e inadequada a guerra declarada pelo governador Mauro Carlesse contra o prefeito de Gurupi, Laurez Moreira. Carlesse depõe, evidentemente, contra o seu próprio governo. E em desfavor de seu candidato a prefeito. Em dois dias, circularam nas redes dois vídeos de Mauro Carlesse.

No primeiro, uma acusação. Confrontado com os números, fez uso do diversionismo na segunda publicação. Sem conseguir refutar que não acrescentou leitos da covid no hospital regional de Gurupi (apenas dividiu os 20 existentes em dois grupos, destinando 10 para a covid e hoje anuncia mais dez que ainda não foram instalados). Quem não soubesse que estava ali um governador de Estado eleito e no pleno exercícios de suas funções e atribuições, acharia que fosse apenas mais um candidato a prefeito da cidade.

Uma estratégia política e administrativa que, fosse a coisa pública o interesse, mandaria o assessor que o tenha impulsionado à ação para o olho da rua, por absoluta inadequação, inoportunidade e ilegitimidade da tática quase morticída. Isto porque governos não podem prescindir de suas obrigações na saúde de média e alta complexidade (o caso do vírus) assim como às prefeitura cabe a atenção básica nas UPAs.

Não há dúvidas de que o Governador faz uma administração (do ponto de vista fiscal) muito acima dos governos que o antecederam. Reorganizou o Estado e impôs um rearranjo que até aqui tem dado certo, apesar dos passivos financeiros que se vai contabilizando.

Mas jogar o peso do governo contra a terceira maior cidade do Estado (uma cidade de 100 mil pessoas que atende mais outras 100 mil dos 20 municípios de sua órbita), que registra mais de dois mil contaminados e 23 óbitos, pretextando criticar a administração do prefeito eleito (não se sabe a que título), em plena crise do vírus e no calendário eleitoral, expõe sobremaneira um outro lado de Carlesse: o não racional.

O racional seria o Governador chamar o prefeito para atuarem juntos. Não só o de Gurupi, onde tem domicílio eleitoral, mas de todo o Estado. Foi eleito para solucionar problemas e não para criá-los em favor de seus projetos políticos.

Carlesse tem um candidato a prefeito na cidade. Já foi derrotado nas urnas por Laurez por duas vezes (em 2012/confronto direto e em 2016 com Walter Jr/Glaydson Nato). Da mesma forma que ele foi eleito democraticamente por duas vezes governador do Estado. Derrotando seus adversários com folga. Jogo democrático jogado.

E não se vê por aí Kátia Abreu, Vicentinho Alves, Carlos Amastha, Marlon Reis, Cesar Simoni ou Bernadete do Psol (seus adversários eleitorais) abrindo disputa com Carlesse pela ineficiência governamental na prevenção e combate à pandemia. Apesar dos quase R$ 1 bilhão que entraram nos cofres públicos para a Covid.

Comparando com Gurupi, por exemplo, muito explícita: o município apresenta 2065 caos/100 mil habitantes contra os 2.559 casos/100 mil do Estado. Se no Tocantins registrava-se até ontem 34,79 óbitos/100 mil habitantes, em Gurupi eram 23/100 mil.

O políticos, por exemplo,  não foram às ruas contra esse novo hospital de campanha de Palmas que gastará R$ 20 milhões e 661 mil em seis meses.

O Ministério da Saúde reajustou (em março) o valor da diária de UTI covid para R$ 1,6 mil e R$ 1,5 mil para leitos clínicos covid. Significa que 60 leitos clínicos por seis meses (a R$ 1,5 mil a diária) daria R$ 2,7 milhões/mês o que levaria a R$ 16,2 milhões em seis meses.

Já os dez leitos UTI (R$ 1,6 mil a diária) custariam R$ 2,8 milhões que somados aos R$ 16,2 milhões dos clínicos somariam R$ 19 milhões. Uma diferença de R$ 1,6 milhão entre o valor do SUS e aquele contratado pelo governo. A Saúde deve ter suas explicações que levariam, evidentemente, a falta de planejamento para justificar o preço de mercado contratado.

De outro modo, Carlesse pode estar contribuindo para perda de ativos administrativos e políticos que, com esforço (e equipe) conseguiu em apenas dois anos e meio de administração.

Em apenas seis anos passou de um deputado que por pouco não se elegeu, para presidente do Legislativo estadual e vencer duas eleições estaduais para governo. Não é pouca coisa.

Pode, com a estratégia desta semana,  jogar a população da cidade contra o seu candidato a prefeito. Um direito legítimo que o governador tem, desde que não confunda governo com eleição.

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